domingo, 7 de agosto de 2011

Rocamadour dos milagres


Um nobre cavaleiro, muito arrogante e orgulhoso, soube pelos seus comandados que havia uma grande movimentação no caminho de São Tiago de Compostela. Isso por que todo o cavaleiro cristão que peregrinava até a Igreja de São Tiago, era atribuído-lhe grande prestígio e trazia-lhe as bênçãos de Nossa Senhora, pois iria agradecer as grandes vitórias alcançadas.

Ora, o nobre arrogante passou a pensar que se não fosse em tal peregrinação, seria por que não tivesse obtido grandes vitórias nos combates. E assim, por mero orgulho, e no intuito de querer ser reconhecido como “grande vitorioso”, resolveu ir com sua cavalaria toda em tal jornada.

Assim, partiu com seus cavaleiros no caminho de Compostela.

Viajaram por dias. E em todos os lugares pelos quais passava, contava suas bravatas e que ia a Compostela para receber as honrarias de suas vitórias.

No caminho, havia uma pequena aldeia incrustada numa montanha. Era Rocamadour. A sua Igreja era famosa por seus milagres. Todo o cavaleiro ali parava e rezava, para depois continuar a viagem. Não poderia ser diferente com o arrogante nobre.

Porém aconteceu um fato espetacular. Ao se aproximar da Igreja foi barrado por uma força invisível. Era como se houvesse uma parede de vidro entre o nobre arrogante e a Igreja.
O cavaleiro fez de tudo para tentar entrar na Igreja, mas não conseguia.

Seus gritos de raiva foram atraindo as pessoas da região, bem como o padre que estava dentro da Igreja. Todos observavam sem entender porque o nobre não conseguia entrar na Igreja. Diante de todos, e já com sua arrogância estremada e envergonhado porque havia grande quantidade de pessoas, o nobre deu uma ordem aos seus cavaleiros.

Pediu a todos que descessem de seus cavalos, formassem uma fila, e empurrassem o nobre para dentro da Igreja. No entanto mesmo assim, o nobre como que prensado nessa parede invisível, não conseguia entrar na Igreja.

O padre que da porta da Igreja tudo via, teve uma visão e anunciou-a ao Nobre arrogante:

- Senhor, em vão gastareis de força para entrar neste lugar Santo, pois é a própria Virgem que lhe impede de entrar. Se não vos arrependerdes de seus pecados, jamais entrarás aqui.

Furioso, o nobre pedia ainda mais forças aos seus soldados, até que sangue lhe escorre pela boca.

Diante dessa situação, o nobre envergonhado pelo estado de sua alma, pede ao padre que, então, lhe receba em confissão. E lá mesmo confessou seus pecados.

Depois disso, olhando para a porta da Igreja, se dirigiu a ela e conseguiu entrar. Se ajoelhou, e profundamente arrependido de suas faltas, agradeceu a Nossa Senhora por ter lhe livrado do inferno.

Esta é uma pequena história narrada nas cantigas de Santa Maria do Rei Alfonso X.

No entanto o que é Rocamadour?

Pequena para ser considerada uma cidade, uma vila também não é. Os grandes fatos que nela se deram a colocaram acima dos povoados comuns. Incrustada numa montanha, sua configuração mítica reproduz a seu modo o personagem que lhe deu o nome: Amadour, que tendo vivido ao lado da Santíssima Virgem, como seu criado, tornou-se grande e miraculoso santo.

Zaqueu, judeu de Jericó, era tão pequeno que, dele dizem os Evangelhos, para melhor contemplar a passagem do Mestre por sua cidade, subiu numa árvore.

Notando seu enlevo, Jesus o chamou e lhe disse que pernoitaria em sua casa. Essa honra marcou sua conversão.

Segundo imemorial tradição existentes entre os católicos franceses, após a Ressureição de Jesus, não podendo mais servir o Mestre, Zaqueu tornou-se criado de sua santa Mãe.

Após a Assunção aos Céus de Maria Santíssima, não podendo mais servir à Mãe do Mestre, fez Zaqueu como fizeram Lázaro e Maria Madalena: veio servir àquela que futuramente seria, entre as nações, a primogênita da Igreja, a França, então denominada Gália. Nesse território de missão, Zaqueu era chamado de Amadour.

Viveu no sudoeste francês, não longe da fronteira espanhola, solitário, nas grutas do penhasco hoje conhecido como ROCAMADOUR.

Eis o que relata o abade do mosteiro-fortaleza do Mont Saint-Michel, Robert de Torigny, em 1170:

“No ano da Encarnação de 1166, um habitante da região, achando-se em seus últimos instantes, pediu aos seus, sem dúvida por inspiração divina, de enterra-lo à entrada do oratório. Cavando a terra, encontrou-se o corpo de Amadour, bem inteiro; foi colocado na Igreja, junto ao altar, e assim é exposto, íntegro, aos peregrinos”.

A descoberta do corpo de Santo Amadour multiplicou as peregrinações. Reis e santos ali foram rezar ao longo dos séculos. Multidões passaram contritas por aquelas rochas. São Francisco de Assis lá esteve. São Luis com sua mãe, Branca de Castela, e seus irmãos juntaram-se ao longo cortejo dos peregrinos.

(O trecho abaixo da Cantiga de Santa Maria, foi extraído na Revista “Catolicismo” de junho de 1991 – escrito por Nelson R. Fragelli)
Fonte: blog Almas Castelos (cortesia)

sábado, 6 de agosto de 2011

Quem é mais forte?

O católico deve ser como um navio heróico que enfrenta os mares, depositando toda sua confiança em Deus, ou como uma Torre altiva e forte, pronta para resistir a tudo, apesar as ondas do mundo moderno.




Deus

Eu me lembro! Eu me lembro! Era pequeno
E brincava na praia; o mar bramia,
E, erguendo o dorso altivo, sacudia
A branca espuma para o céu sereno.

E eu disse a minha mãe nesse momento:
“Que dura orquestra! Que furor insano!
Que pode haver maior do que o oceano,
Ou que seja mais forte do que o vento?”

Minha mãe, a sorrir, olhou pros céus
E respondeu: “Um Ser que nós não vemos
É maior do que o mar que nós tememos
Mais forte que o tufão, meu filho, É Deus!”

(Casemiro de Abreu)
Fonte: Blog Almas Castelos

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

São João Maria Vianney (ou Santo Cura d’Ars)


Nasceu em Lião no ano 1786. Depois de superar muitas difi­culdades, pôde ser ordenado sacerdote. Tendo-lhe sido confiada a paróquia de Ars, na diocese de Belley, o santo promoveu nela admiravelmente a vida cristã, por meio duma eficaz pregação, com a mortificação, a oração e a caridade. Revelou especiais qualidades na administração do sacramento da Penitência e na direcção espi­ritual, e por isso acorriam fiéis de todas as partes para escutar os seus santos conselhos. Morreu em 1859.

Belo dever do homem: orar e amar

Prestai atenção, meus filhos: o tesouro do homem cris­tão não está na terra, mas no Céu. Por isso, o nosso pen­samento deve voltar-se para onde está o nosso tesouro. O homem tem este belo dever e obrigação: orar e amar. Se orais e amais, tendes a felicidade do homem sobre a terra. A oração não é outra coisa senão a união com Deus. Quando alguém tem o coração puro e unido a Deus, expe­rimenta em si mesmo uma certa suavidade e doçura que inebria e uma luz admirável que o circunda. Nesta íntima união, Deus e a alma são como dois pedaços de cera, fun­didos num só, de tal modo que ninguém mais os pode separar. Como é bela esta união de Deus com a sua pequena criatura! É uma felicidade que supera toda a compreensão humana. Nós tomámo-nos indignos de orar; mas Deus, na sua bondade, permite-nos falar com Ele. A nossa oração é o incenso que mais Lhe agrada. Meus filhos, o vosso coração é pequeno, mas a oração dilata-o e torna-o capaz de amar a Deus. A oração faz-nos saborear antecipadamente a suavidade do Céu, é como se alguma coisa do Paraíso descesse ate nós. Ela nunca nos deixa sem doçura; é como o mel que se derrama sobre a alma e faz com que tudo nos seja doce. Na oração bem feita desaparecem as dores, como a neve aos raios do sol. Outro benefício nos traz a oração: o tempo passa tão depressa e com tanto prazer que não se sente a sua duração. Escutai: quando era pároco em Bresse, em certa ocasião tive de percorrer grandes distâncias para substituir quase todos os meus colegas, que estavam doentes; e podeis estar certos disto: nessas longas caminhadas rezava ao bom Deus e o tempo não me parecia longo. Há pessoas que se submergem profundamente na ora­ção, como os peixes na água, porque estão completamente entregues a Deus. O seu coração não está dividido. Oh como eu amo estas almas generosas! S. Francisco de Assis e S. Coleta viam Nosso Senhor e conversavam com Ele do mesmo modo que nós falamos uns com os outros. Nós, pelo contrário, quantas vezes vimos para a igreja sem saber o que havemos de fazer ou que pedir! No entanto, sempre que vamos ter com algum homem, sabemos per­feitamente o motivo por que vamos. Mais: há pessoas que parecem falar a Deus deste modo: “Só tenho a dizer-Vos duas palavras para ficar despachado…” Muitas vezes penso: Quando vimos para adorar a Deus, conseguiríamos tudo o que pedimos se pedíssemos com fé viva e coração puro. (Da Catequese de S. João Maria Vianney)

Oração

Deus omnipotente e cheio de misericórdia, que fizestes de S. João Maria Vianney um sacerdote admirável, plenamente consagrado ao serviço do vosso povo, concedei-nos, por sua intercessão, que, imitando o seu exemplo de caridade apostólica, possamos ganhar para Cristo as almas dos nossos irmãos e com eles alcançar a glória eterna. Por Nosso Senhor.
In facebook

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Explosão fere ao menos 15 em igreja católica siríaca no Iraque


A explosão de um carro-bomba deixou ao menos 15 feridos nesta terça-feira (02/08) em frente a uma igreja católica siríaca em Kirkuk, no norte do Iraque.

Ao menos dois dos feridos estão em estado grave, segundo a polícia. O número de vítimas pode aumentar e a agência de notícias Associated Press fala em ao menos 23 mortos.

A explosão ocorreu às 05h30 (23h30 no horário de Brasília) em frente à Igreja da Sagrada Família, no norte de Kirkuk, 240 km ao norte de Bagdá.

O impacto causou danos ao prédio da igreja e dos prédios vizinhos.

Fontes de segurança iraquianas disseram que a bomba foi detonada à distância. Depois do ataque, o local foi isolado.

Um dos sacerdotes da igreja, Imad Hanna disse que apenas uma pessoa estava dentro da igreja no momento da explosão.

Depois da explosão, a polícia descobriu mais dois carros-bomba estacionados perto de uma igreja anglicana e a igreja Mar Gourgis, ambas em Kirkuk.

Extremistas sunitas frequentemente atacam cristãos, vistos como descrentes. A violência contra os cristãos teve um pico em 2010, que culminou, no dia 31 de outubro, em um massacre na catedral católica siríaca de Bagdá. No total, 68 morreram e dezenas ficaram feridos quando os terroristas fizeram os fiéis reféns e depois detonaram seus explosivos.

“Os terroristas querem que fujamos do Iraque, mas eles vão fracassar. Nós vamos ficar no país. Os cristãos iraquianos são alvos fáceis porque eles não tem milícias para protegê-los. Os terroristas querem nos aterrorizar, mas eles vão fracassar”, disse o reverendo Haithem Akram.

Fonte: Folha.com extraído da Associação Apostolado do Sagrado Coração de Jesus

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

terça-feira, 2 de agosto de 2011

As Catacumbas e Santa Filomena


Para quem vai a Roma, não deve perder a oportunidade de visitar as catacumbas. De uma forma especial nos transportam para o início do cristianismo.

A Catacombe de San Callisto é muito interessante, mas a melhor de todas para se visitar, sem dúvida é a de San Sebastiano. Ao entrar nelas o guia já informa: quem tiver claustrofobia, avise.

Todas elas são formadas por galerias intermináveis sob o chão, estreitas e profundas formando um emaranhado de corredores, quase que intermináveis, com “andares” subterrâneos. O guia que acompanha conta a história da catacumba e dos santos mártires que lá estiveram.


Na catacumba de San Sebastiano há fragmentos dos pratos onde comiam São Pedro e São Paulo, entre outras relíquias preciosíssimas. Mas isso é matéria para uma outra postagem.

No entanto falei das catacumbas, por que numa delas foram encontrados os ossos de Santa Filomena (catacumba de Santa Priscila).


Santa Filomena foi uma princesinha grega, torturada e morta aos 13 anos de idade, por Diocleciano, imperador de Roma, no 3o. século da era cristã. Foi chicoteada e atravessada por flechas, quase até a morte, sendo milagrosamente curada por Deus na prisão. Condenada a se afogar com uma âncora presa no pescoço foi novamente salva por dois anjos. Toda essa fúria do imperador devia-se à recusa da princesa em casar-se com ele, por ter feito voto de castidade, tornando-se esposa de Jesus Cristo aos 12 anos. Nem os pedidos de seus pais, cujo reino estava ameaçado pelo exército do imperador, nem toda a tortura sofrida, conseguiram faze-la desistir de seus votos. Santa Filomena soube cumprir como ninguém o 1o. Mandamento: “Amar a Deus sobre todas as coisas”. Cansado pelas tentativas inúteis e furiosas, por ver que os sucessivos milagres convertiam muita gente, até os próprios soldados, Diocleciano mandou que cortassem a cabeça da princesinha, que se tornou assim mais uma Virgem Mártir do Cristianismo.

Viveu apenas 13 anos de idade... Que diriam disso os que querem desesperadamente viver e ter saúde para gozar a vida, como acontece muito em nossos dias?

Seus restos mortais foram encontrados nas Catacumbas de Santa Priscila, nos arredores de Roma, em 24 de maio de 1802 e foram levados para Mugnano Del Cardinali entre Nola e Avelino, perto de Nápoles, em 1805, no dia 10 de agosto, dia e mês em que coincidem com os de sua morte. Estão lá até hoje, e são incontáveis os milagres que ela já fez em favor de seus devotos. Milhares de fiéis no mundo inteiro atestam, maravilhados, o poder desta Santinha que não deixa nenhum de seus devotos ao desamparo. O Papa Pio IX foi milagrosamente curado por ela.

Foi nomeada uma das Padroeiras das Filhas de Maria em 1894. Leão XIII antes de ser papa, fez duas peregrinações a Mugnano. Pio X mandou por um enviado especial, um rico anel de ouro e outros presentes magníficos ao Santuário da Santinha, em Mugnano.

O CORDÃO DE SANTA FILOMENA

São João Batista Maria Vianney, o Cura d'Ars, foi o maior difusor do uso do Cordão de Santa Filomena. O Papa Leão XIII aprovou o uso do Cordão em 1893 e concedeu indulgências a todos os que o usarem e rezarem esta oração:

Ó Santa Filomena, Virgem e Mártir, rogai por nós para que, por meio de vossa poderosa intercessão, possamos obter a pureza de alma e de coração, que conduz ao perfeito amor de Deus.

Para lucrar as indulgências plenárias com o Cordão é preciso confessar-se, comungar, e visitar alguma igreja ou um doente, rezando pelas intenções do Papa.

Qualquer pessoa pode fazer o Cordão de Santa Filomena, que deve ser feito com fios de linho ou lã ou de algodão. Em suas extremidades, de um lado, o Cordão tem dois nós, e na outra 3 nós, simbolizando a Santíssima Trindade e as Chagas de Nosso Senhor Jesus Cristo. Os fios devem ter quantidades mais ou menos iguais em cores branco e vermelho. O branco simboliza a virgindade de Santa Filomena, e o vermelho seu martírio.

A faculdade para benzer os cordões de Santa Filomena foi dada aos Padres de São Vicente de Paulo, mas atualmente qualquer padre pode benzê-lo validamente. A oração oficial da bênção do Cordão é:

S- "Senhor Jesus, concedei que todos os que usem este cordão mereçam ser preservados de qualquer perigo e recebam a saúde da alma e do corpo."

O cordão deve ser usado na cintura, sob a roupa, e se possível não ser retirado. Se não for possível usá-lo na cintura, pode-se usá-lo no braço ou na perna.

O ÓLEO DE SANTA FILOMENA

Esse óleo milagroso é retirado de qualquer lamparina que esteja iluminando uma imagem ou estampa de Santa Filomena, para passar no local da enfermidade.
Fonte: blog Almas Castelos (cortesia)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

As flechas e a ironia


Traziam no combate, numa padiola, um guerreiro que muitas flechadas haviam mal-ferido. E o seu sangue ardente e generoso ia marcando pelo chão o seu caminho de dor.

Passou por ele um chefe inimigo que fora aprisionado e os soldados que o escoltavam diziam-lhe zombarias e insultos. O prisioneiro, apesar da triste situação em que se achava, ao ver passar o guerreiro ferido, murmurou algumas palavras de piedade e simpatia.

O guerreiro ouvia-as e respondeu-lhe:

- Sofre menos o homem golpeado por uma flecha do que aquele que é ferido por insultos e zombarias. Tenho, igualmente, muita pena de vós!

Poucos são, na vida, aqueles que sabem resistir ao escárnio e à ironia.

É difícil lutar contra essa coisa à qual poucos resistem: a ironia. Saber resistir a um sorriso de desprezo é sinal de inteira força moral. Mais medo deverás ter do indivíduo que te ridiculariza do que daquele que te ataca brutalmente; este revolta-te, aquele perturba-te, e esta perturbação é, muitas vezes, o primeiro indício da derrota.

(Lendas do Céu e da Terra – autor D.)
Fonte: blog Almas Castelos (cortesia)

Santo Afonso Maria de Ligório, bispo, Doutor da Igreja, +1787


É o fundador da Congregação do Santíssimo Redentor ou Padres Redentoristas. Nasceu em Marianela, um povoado nas imediações de Nápoles, em 1696. Amante dos estudos, aos 19 anos já era advogado formado. A sua vida mudou radicalmente quando percebeu a fragilidade dos julgamentos humanos, defendendo culpados e condenando inocentes. Tinha 30 anos quando se fez sacerdote. Passava os seus dias junto aos mendigos da periferia de Nápoles e dos camponeses. Em 1732, fundou a Congregação do Santíssimo Redentor, para concretizar o anúncio do Evangelho: "fui enviado para evangelizar os pobres". Entregou-se de corpo e alma a promover a verdadeira vida cristã no meio dos fiéis, especialmente dos mais necessitados.

Escreveu várias obras ascéticas e teológicas. Entre as mais conhecidas temos "A Prática do amor a Jesus Cristo", "Preparação para a morte" e "As glórias de Maria". A sua obra mais importante versa sobre teologia moral, assunto no qual é considerado mestre insigne.

Foi eleito bispo de Santa Ágata dos Godos, por Clemente XIII, mas devido à idade e ao seu precário estado de saúde pediu ao papa o seu afastamento. Sofreu muitas contrariedades no fim da vida: criticado pelos seus escritos e até mesmo expulso de sua própria Congregação, por causa da má interpretação daquilo que desejava para seus filhos. Morreu em Nocera dei Pagani, Campanha, em 1787.

domingo, 31 de julho de 2011

Santo Inácio de Loyola, presbítero, fundador, +1556


Nobre espanhol, converteu-se aos 30 anos de idade, depois de uma breve mas brilhante carreira nas armas, e fundou a Companhia de Jesus. Alma profundamente militar, quis dotar a Igreja de uma milícia nova, aguerrida e disciplinada, para a defesa da glória de Deus e a conquista das almas.

No século em que o protestantismo arrebatou à religião católica um terço da Europa, Inácio foi sem dúvida o lutador suscitado pela Providência para atender de modo pleno às necessidades da Igreja.

sábado, 30 de julho de 2011

A Benção da Medalha de São Bento


Já foi visto a grande eficácia da Medalha de São Bento. Mas para que os fiéis obtenham todos os benefícios da Medalha é necessário que ela seja benta com uma benção especial.

Há que se fazer uma distinção sobre as bênçãos. O Sacerdote pode benzer um objeto religioso, porém para certos tipos de atos é necessária uma benção especial que é devidamente aprovada para isso. E mesmo assim, não é todo o Sacerdote que está autorizado a dar referida benção especial. Por exemplo: quando a pessoa vai usar o escapulário do Carmo, a imposição do escapulário é precedida de uma benção sobre o escapulário que somente Sacerdotes devidamente autorizados por um privilégio especial podem faze-lo. Da mesma forma a Medalha de São Bento. Além dos Beneditinos, alguns outros Sacerdotes podem benzer a Medalha de São Bento, mas necessitando para isso uma autorização ou obter um privilégio da Igreja para esse fim.

Da mesma forma o uso do escapulário. Para impor o escapulário o Padre deve ter autorização para isso.

Sua Santidade o Papa Bento XIV escreveu um BREVE em 12 de março de 1742, aprovando a Medalha com a Cruz, a efígie de São Bento e os caracteres que ela apresenta. Sancionou a fórmula da benção que lhe deve ser aplicada, e concedeu numerosas indulgências aos que a levassem consigo.

Trechos do BREVE de Sua Santidade o Papa Bento XIV:

Bento XIV, Papa

PARA PERPÉTUA MEMÓRIA DO ATO E PARA AUMENTAR A DEVOÇÃO DOS FIÉIS A JESUS CRISTO

[...]
Nosso amado filho Bennon Löbl, Monge professo da Ordem de São Bento e presentemente Abade do mosteiro de Brzewnow in Brauna, na diocese de Praga, mosteiro nullius, livre, isento e sujeito imediatamente à Sé Apostólica, e além disso Preboste de Wahlstad na Silésia, Prelado mitrado do reino da Boêmia e Visitador perpétuo da referida Ordem da Boêmia, Morávia e Silésia, mandou expor-Nos recentemente que em outra ocasião pediu-Nos, para seus sucessores, bem como para todos e cada um dos Abades, Priores e outros Monges da mesma Ordem sujeitos a ele e a seus sucessores que exercerem o mesmo direito de Visitador, a faculdade de benzer, segundo a fórmula expressa na petição, as Medalhas ou Cruzes chamadas de São Bento, de distribuí-las respectivamente para se ganharem as indulgências que lhes foram liberalmente anexadas; com proibição feita a qualquer outra pessoa eclesiástica de intervir nessa obra pia: a qual faculdade lhe foi benignamente concedida e outorgada por Decreto da Sagrada Congregação dos Cardeais da Santa Igreja Romana, preposta às Indulgências a 23 do mês de dezembro do ano de 1741, decreto esse que é do teor seguinte:

DECRETO PARA A ORDEM DE SÃO BENTO NA BOÊMIA, MORÁVIA E SILÉSIA:


Às humildes e repetidas súplicas de Dom Bennon Löbl, Abade do Mosteiro livre e isento de Brzewnow na Brauna, da Ordem de São Bento, Preboste de Wahlstad na Silésia, Prelado mitrado do reino da Boêmia e Visitador perpétuo da referida Ordem da Boêmia, Morávia e Silésia: o Nosso Santíssimo Padre Bento XIV houve por bem conceder e outorgar ao mesmo Bennon e a seus sucessores, bem como a todos e a cada um dos Abades, Priores e outros Monges Sacerdotes, que lhe estão presentemente sujeitos como Visitador perpétuo, a faculdade particular de benzer as Medalhas ou Cruzes conhecidas pelo nome Cruzes de São Bento, das quais uma face representa a imagem do mesmo São Bento, e a outra uma Cruz tendo em redor estas letras ou caracteres, [segue as letras e o significado de cada uma delas] e cuja benção se fará segundo a fórmula seguinte:

V. Adjutorium nostrum in nomine Domini.
R. Qui fecit coelum et terram.
Exorciso vos, numismata, per Deum Patrem + omnipotentem, qui fecit coelumet terram, mare et omnia quae in eis sunt: omnis virtus adversarii, omnis exercitus diaboli, et omnis incursus; omne phantasma Sathanae, eradicare et effugare ab his numismatibus, ut fiant omnibus, qui eis usuri sunt, salus mentis et corporis, in nomine Dei Patris + omnipotentis, et Jesu Christi + Filii ejus, Domini Nostri, et Spiritus Sancti + Paracliti, et in charitate ejusdem Domini Nostri Jesu Christi, qui venturus est judicare vivos et mortuos et saeculum per ignem.
R. Amen.
Kyrie eleison, Criste eleison, Kyrie eleison. Pater Noster, etc.
V. Et ne nos inducas in tentationem.
R. Sed libera nos a malo.
V. Salvos fac servos tuos.
R. Deus meus, sperantes in te.
V. Esto nobis, Domine, turris fortitudinis.
R. A facie inimici.
V. Deus virtutem populo suo dabit.
R. Dominus benedicet populum suum in pace.
V. Mitte eis, Domine, auxilium de Sancto.
R. Et de Sion tuere eos.
V. Domine, exaudi orationem meam.
R. Et clamor meus ad te veniat.
V. Dominus vobiscum.
R. Et cum spiritu tuo.

Oremus. Deus omnipotens, omnium bonorum largitor, supplices te rogamus ut per intercessionem sancti Patris Benedicti his sacris numismatibus, litteris et characteribus a te designatis, tuam benedictionem + infundas, ut omnes, qui ea gestaverint, ac bonis operibus intenti fuerint, sanitatem mentis et corporis, et gratiam sanctificationis, atque indulgentias nobis concessas consequi mereantur, omnesque diaboli insidias et fraudes per auxilium misericordiae tuae effugere valeant, et in conspectu tuo sancti et immaculati appareant. Per Dominum, etc.

Oremus. Domine Jesu, qui voluisti pro totius mundi redemptione, de Virgine nasci, circumcidi, a Judaeis reprobari, Judae osculo tradi, vinculis alligari, spinis coronari, clavis perforari, inter latrones crucifigi, lancea vulnerare et tandem in cruce mori: per tuam sanctissimam Passionem humiliter exoro, ut omnes diabólicas insidias et fraudes expellas ab eo, qui Nomen sanctum tuum his litteris et characteribus a te designatis devote invocaverit, et eum ad salutis portum perducere digneris. Qui vivis et regnas, etc.

Benedictio Dei Patris + omnipotentis, et Filii +, et Spiritus + Sancti descendat super haec numismata, ac ea gestantes, et maneat semper. In nomini Patris + et Filii + et Spiritus + Sancti. Amen.
(Aspergatur aqua benedicta).

Eis aí, então, o texto da Benção da Medalha de São Bento.

Continuando, literalmente, no que consta no BREVE de Sua Santidade o Papa Bento XIV:

“Não obstante qualquer prescrição em contrário, Sua Santidade declarou que as Medalhas de que se trata, se não tiverem sido bentas pelos Monges acima designados, ou por aqueles a quem a Santa Sé por privilégio especial conceder essa faculdade, não gozarão absolutamente de indulgência alguma”
[...]
“Além disso Sua Santidade proíbe expressamente que algum Sacerdote, ou secular, ou de qualquer Ordem, Congregação ou Instituto regular, e qualquer que seja a dignidade, ou cargo de que esteja investido, à exceção dos ditos Monges acima designados, ou daqueles a quem a Santa Sé houver concedido um Indulto por especial privilégio, se atreva ou presuma benzer as ditas Medalhas ou Cruzes, ou distribuí-las aos fiéis, sob as penas que, além da nulidade da benção e das indulgências, forem infligidas, a arbítrio dos respectivos Ordinários dos lugares ou dos Inquisidores da fé, segundo a gravidade da culpa. Não obstante qualquer coisa em contrário, e devendo as presentes ter valor perpétuo.”

É o que consta nos documentos da Igreja.

(“A Medalha de São Bento” – Dom Próspero Gueranger O.S.B. – Abade de Solesmes – Editora Artpress – São Paulo)
Fonte: blog Almas Castelos cortesis)

O elefante e o pequenino


Ao regressar, certa vez de uma excursão às florestas de Keroh, na Índia, encontrei, na estrada, um menino que puxava um enorme elefante. O garotinho caminhava ligeiro, e a alegria de sua fisionomia revelava a despreocupação de seu espírito. Devia ter, no máximo, oito ou nove anos.

Para observa-lo, pus-me a segui-lo a pequena distância.

Junto a uma fonte ele parou e fez parar, também, o monstruoso paquiderme.

A seguir gritou para o elefante:

- Deita-te, Baluque!

O paciente e pesado animal obedeceu no mesmo instante.

Que fez, então, o pequeno? Tomou de um pedaço de corda, feita grosseiramente de talos de palmeira, e amarrou uma das patas do elefante a uma árvore que se erguia à margem da estrada. E a seguir disse, muito sério, ao Baluque:

- Fica quietinho, ouviste? Voltarei daqui a pouco. Se te levantares daí levarás uma surra daquelas!

E repetiu:

- Estás ouvindo?

Sim. Baluque ouviu. Ouviu e compreendeu, pois daquele lugar, junto à árvore, não saiu enquanto o menino esteve ausente.

E que prendia, afinal, o elefante? Uma simples embira que qualquer cachorro poderia, facilmente, rebentar.

As paixões da alma são como as brutas feras da Índia.

Confia em Deus, segue os ensinamentos do Evangelho, e poderás aprender com a tua energia todos os Baluques do pecado, que enchem de tanto horror os incrédulos.

Fonte: Blog Almas Castelos (cortesia)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Oração de Santo Agostinho


Socorrei-me, Senhor e vida minha,

a fim de que não venha a morrer na minha maldade.

Se não me criásseis, não existiria;

criastes-me, passei a existir;

se não me dirigirdes, cessarei de existir.

Não foram encantos ou méritos meus

que vos compeliram a dar-me o ser,

senão a vossa infinita munificência.

Suplico-Vos, pois,

que aquele mesmo amor

que Vos compeliu à minha criação,

possa igualmente compelir-Vos a reger-me;

porquanto, que aproveita haver-Vos

o vosso amor compelido a criar-me,

se eu morrer na minha miséria,

privado da direcção de vossa destra?

Obrigue-Vos, Senhor,

a salvar-me essa mesma clemência

que Vos levou a tirar do nada

o que jazia no nada;

vença-Vos em libertar-me a caridade

que Vos venceu em criar-me,

pois não é hoje menor este vosso atributo

do que era então.

A caridade sois Vós mesmos,

que sempre sois e não mudais.

Não se Vos encurtou a mão,

que não possais salvar-me;

nem se Vos endureceu o ouvido,

que não mais Vos seja dado ouvir-me.

Amém.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

A velha no hospital


Em 1854, uma mulher idosa morava num hospital de doentes incuráveis, onde estava sempre na cama em conseqüência de uma paralisia quase total. Seus sentimentos eram os de uma ímpia furiosa, e de sua boca brotavam incessantemente as mais nojentas conversas, misturadas com atrevidas blasfêmias, a tal ponto que muitos a consideravam endemoniada. Desconfiava-se de que ela guardava na cama certos objetos maus, aptos a conserva-la em tão perversas disposições.

Um dia, desocupou-se o dormitório para limpa-lo; tiraram-na para uma sala vizinha, apesar dos uivos que soltava. Debaixo de seu colchão, as irmãs encontraram um saquinho com objetos de origem e destino mais do que suspeitos. Colocaram no mesmo lugar uma medalha de São Bento, e daí a pouco levaram a enferma de novo para a cama, sem lhe avisarem do que se havia feito em sua ausência. Mas sem dúvida algo lhe revelou o espírito mau; pois ela, quando ia ela chegando perto da cama, começou a gritar violentamente com as Irmãs, queixando-se de que lhe haviam roubado o saquinho.

Deitaram-na, entretanto e, de repente, um sossego extraordinário sucedeu aos costumeiros gritos. A alegria lhe transparece na fisionomia que até então só apresentava traços horrivelmente crispados. A pobre criatura pede um padre. Alguns dias depois, na enfermaria transformada em Capela, toda resplandecente de luzes e enfeitada com flores, recebia a Nosso Senhor que vinha consolar e curar aquela alma, escapada, como uma avezinha, da armadilha infernal rompida.

(Livro: A Medalha de São Bento - Dom Próspero Guéranger O.S.B. - Abade de Solesmes - Artpress - São Paulo)
Fonte: blog Almas Castelos (cortesia)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

terça-feira, 26 de julho de 2011

Santos Joaquim e Ana, pais de Nossa Senhora


Santa Ana e São Joaquim

Uma tradição do segundo século afirma que os pais de Nossa Senhora, e avós de Jesus, chamavam-se Joaquim e Ana. Conforme uma lenda da Idade Média, Joaquim e Ana viviam humilhados porque não tinham filhos. Eram estéreis. Joaquim dirigiu-se então para o deserto, e ali passou, 40 dias em jejum e oração. Ao terminar os 40 dias, apareceu-lhe um anjo anunciando que teriam um filho. De facto, nasceu-lhes uma filha, à qual deram o nome de Maria.

A devoção de Santa Ana ou Sant'Ana remonta ao século VI, no Oriente. No Ocidente data de século X. A devoção a São Joaquim é mais recente.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

A Morte e o Lenhador


Já ouvi muitos corajosos que dizem que não tem medo da morte. Mas a morte é um fato terrível, não só por que se perde a vida, mas por causa do Juízo Particular. Ser julgado por Deus, prestar contas de seus atos, ver diante de si seus pecados e suas virtudes... O homem sensato treme ao pensar nessas coisas.

É tão dura a hora da morte que a vida toda o católico reza a Ave Maria pedindo: ”rogai por nós, agora e na hora de nossa morte.” Ora, passamos a vida toda rezando pela hora de nossa morte, e por que?

Porque nessa hora tão difícil não haverá tempo para pedirmos mais nada. Porque a morte é tão dura para nós que passamos toda a vida pedindo a assistência de Nossa Senhora para esse momento tão doloroso. O demônio passa a vida toda tentando nos levar ao pecado, e até nesse último instante ele ainda está lá tentando nos perder para assim perdermos o céu. Se morre como se vive. Quem viveu liberalmente, na hora terrível as piores tentações lhe virão na cabeça. Quem viveu virtuosamente, as orações brotarão naturalmente de seus lábios. Não basta praticar algumas virtudes, mas é preciso que a virtude seja um hábito em sua vida. Quem não tem medo da morte?

“Santa Maria, rogai por nós agora, e na hora de nossa morte. Amém”

A morte do lenhador:

Um velhinho, muito velho, vivia de tirar lenha na mata. Os feixes, porém, cada vez lhe pareciam mais pesados. Tropicava com eles, quase caía, e um dia, caindo de verdade, perdeu a paciência e lamentou-se amargamente:

- Antes morrer! De que me vale a vida, se nem com este miserável feixe posso? Vem, ó Morte, vem aliviar-me do peso desta vida inútil.

Tentou erguer a lenha. Não pode e, desanimado, invocou pela segunda vez a Magra.

- Por que demoras tanto, Morte? Vem, já pedi, vem aliviar-me do fardo da vida. Andas pelo mundo a colher criancinhas e esqueces de mim que te chamo...

A Morte foi e apareceu – horrenda, escaveirada, com os ossos a chocalharem e a foice na mão.

Ao vê-la de perto o homem estremeceu de pavor, e mais ainda quando a Magra lhe disse, batendo os ossos do queixo.

- Chamaste-me; aqui estou!

O velho tremia, suava... E para sair-se dos apuros só teve esta:

- Chamei-te, sim, mas para me ajudares a botar esta lenha às costas...

(autoria: Monteiro Lobato. Do livro Florilégio Nacional – de Português 4ª Série – ano de 1944, que pertenceu ao meu falecido pai)
Fonte Almas Castelos (cortesia)

domingo, 24 de julho de 2011

A devoção à Virgem Maria é necessária para a salvação?



Ninguém que persevere na oração do Terço será condenado

- A devoção a Nossa Senhora é necessária para a salvação?

- Sem a devoção a Nossa Senhora podemo-nos salvar?

Eis o que está escrito no livro de Luís Maria Grignion de Montfort - A Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem - nos itens 40 a 42:

§ 1. A devoção à Santa Virgem é necessária a todos os homens para conseguirem a salvação.

40. “O douto e piedoso Suárez, da Companhia de Jesus, o sábio e devoto Justo Lípsio, doutor da universidade de Lovaina, entre outros, provaram incontestavelmente, apoiados na opinião dos Santos Padres, entre os quais, Santo Agostinho, Santo Efrém, diácono de Edessa, São Cirilo de Jerusalém, São Germano de Constantinopla, São João Damasco, Santo Anselmo, São Bernardo, São Bernardino, Santo Tomás e São Boaventura, que a devoção à Santíssima Virgem é necessária à salvação e também um sinal infalível de condenação – opinião do próprio Ecolampádio e outros hereges, – não ter estima e amor à Santíssima Virgem. O contrário é indício certo de predestinação ser-lhe inteira e verdadeiramente devotado.

41. As figuras e palavras do Antigo e do Novo Testamento o provam; a opinião e os exemplos dos santos o confirmam; a razão e a experiência o ensinam e demonstram; o próprio demónio, premido pela força da verdade, viu-se muitas vezes constrangido a confessá-lo.
“Ser vosso devoto, ó Virgem Santíssima, é uma arma de salvação que Deus dá, àqueles que quer salvar (São João Damasceno).

42. Nas crónicas de São Francisco, faz-se referência que o santo viu, em êxtase, uma escada enorme, em cujo topo, apoiado no céu, avultava a Santíssima Virgem. E o santo compreendeu que devia subir aquela escada para chegar ao céu.

E nas crónicas de São Domingos: quando o santo pregava o rosário nas proximidades de Carcassona, quinze mil demónios, que possuíam a alma de um infeliz herege, foram obrigados, por ordem da Santíssima Virgem, a confessar muitas verdades grandes e consoladoras, referentes à devoção a Maria. E eles, para sua própria confusão, fizeram-no com tanto ardor e clareza que não se pode ler essa autêntica narração e o panegírico, que o demónio, embora a contragosto, fez da devoção mariana, sem derramar lágrimas de alegria, ainda que pouco devoto se seja da Santíssima Virgem” (São Luís Maria Grignion de Montfort, “Tratado da Verdadeira devoção à Santíssima Virgem”, pág. 40-45. 31. ed. Vozes. Petrópolis, 2002).

Respostas dos demónios, mesmo contra a vontade deles (*)

Quando São Domingos estava a pregar sobre o Rosário perto de Carcassona, trouxeram à sua presença um albigense que estava possesso pelo demónio. Consta que mais de doze mil pessoas tinham vindo ouvi-lo pregar. Os demónios que possuíam este infeliz foram obrigados a responder às perguntas de São Domingos, com muito constrangimento. Eles testemunharam que:

1 - Havia quinze mil deles no corpo desse pobre homem, porque ele atacou os quinze mistérios do Rosário;

2 - Continuaram a testemunhar que, quando São Domingos pregava sobre o Rosário, impunha medo e horror nas profundezas do inferno e que ele era o homem que eles mais odiavam em todo o mundo; isso por causa das almas que ele arrancou dos demónios por intermédio da devoção do Santo Rosário; revelaram ainda várias outras coisas.

São Domingos colocou o seu Rosário em volta do pescoço do albigense e pediu que os demónios lhe dissessem a quem, de todos os santos nos céus eles mais temiam, e quem deveria ser, portanto, mais amado e reverenciado pelos homens. Nesse momento eles soltaram um gemido inexprimível no qual a maioria das pessoas caiu por terra desmaiando de medo… e eles disseram:

“Domingos, nós te imploramos, pela paixão de Jesus Cristo e pelos méritos de sua Mãe e de todos os santos, deixa-nos sair deste corpo sem que falemos mais, pois os anjos responderão à tua pergunta a qualquer momento (…). São Domingos ajoelhou-se e rezou a Nossa Senhora para que ela forçasse os inimigos a proclamarem a verdade completa e nada mais que a verdade. Mal tinha terminado de rezar viu a Santíssima Virgem perto de si, rodeada por uma multidão de anjos. Ela bateu no homem possesso com um cajado de ouro que segurava e disse: “Responde ao meu servo Domingos imediatamente”. Então os demónios começaram a gritar:

“Oh, vós, que sois nossa inimiga, nossa ruína e nossa destruição, porque desceste dos céus só para nos torturar tão cruelmente? Oh, Advogada dos pecadores, vós que os tirais das presas do inferno, vós que sois o caminho certeiro para os céus, devemos nós, para o nosso próprio pesar, dizer toda a verdade e confessar diante de todos quem é que é a causa da nossa vergonha e nossa ruína? Oh, pobres de nós, príncipes da escuridão: então, ouçam bem, vós cristãos: a Mãe de Jesus Cristo é todo-poderosa e ela pode salvar os seus servos de caírem no Inferno. Ela é o Sol que destrói a escuridão da nossa astúcia e subtileza. É ela que descobre os nossos planos ocultos, quebra as nossas armadilhas e faz com que as nossas tentações fiquem inúteis e sem efeito. Nós temos que dizer, porém de maneira relutante, que nem sequer uma alma que realmente perseverou no seu serviço foi condenada connosco; um simples suspiro que ela oferece à Santíssima Trindade é mais precioso que todas as orações, desejos e aspirações de todos os santos.

Nós a tememos mais que todos os santos dos céus juntos e não temos nenhum sucesso com os seus fiéis servos. Muitos cristãos que a invocam quando estão na hora da morte e que seriam condenados, de acordo com os nossos padrões ordinários, são salvos por sua intercessão. Oh, se pelo menos essa Maria (assim era na sua fúria que eles a chamaram) não se tivesse oposto aos nossos desígnios e esforços, teríamos conquistado a Igreja e a teríamos destruído há muito tempo atrás; e teríamos feito com que todas as Ordens da Igreja caíssem no erro e na desordem.

Agora, que somos forçados a falar, também te diremos isto: ninguém que persevere a rezar o Rosário será condenado, porque ela obtém para os seus servos a graça da verdadeira contrição pelos seus pecados e por meio dele, eles obtêm o perdão e a misericórdia de Deus”.

Olhai com benevolência para os infelizes que imploram a vossa poderosa protecção!

Virgem Santíssima que agradastes ao Senhor, a ponto de tornar-vos sua Mãe, Virgem Imaculada em vosso corpo, em vossa alma, em vossa fé, em vosso amor, olhai com bondade para os infelizes que imploram a vossa poderosa protecção.
A serpente infernal, contra a qual foi lançada a primeira maldição, continua a combater e a tentar os pobres filhos de Eva.
Vós, nossa Mãe abençoada, nossa rainha, nossa advogada, vós que esmagastes a cabeça do inimigo desde o primeiro instante da vossa Conceição, recebei as nossas orações e, nós vos suplicamos, unidos num único coração, apresentai-as diante do trono de Deus, para que nunca nos deixemos cair nas armadilhas que nos são preparadas, mas que cheguemos todos ao porto da Salvação e que, no meio de tantos perigos, a Igreja e a sociedade cristã cantem mais uma vez o hino da liberdade, da vitória e da paz. Amém"

Oração composta por São Pio X

sábado, 23 de julho de 2011

Santa Brígida, religiosa, patrona da Europa, +1373


Santa Brígida da Suécia

Nasceu em Finstad, perto de Upsala, na Suécia, em 1303, e morreu em Roma, em 1373. Foi contemporânea de Santa Catarina de Sena.

Aos 13 anos, em 1316, casou-se com o príncipe de Nreícia, Wulfom. Foram pais de oito filhos, entre eles uma santa: Catarina. Fundaram um hospital e eles próprios (Santa Brígida e seu marido), cuidavam dos doentes.

Em 1344, ficou viúva e recolheu-se num mosteiro. Em 1346, fundou um mosteiro em Vadstena. Levava vida austera, chegando a mendigar às portas das igrejas. Uns dez anos antes de morrer, fundou a Ordem de São Salvador (brigidinas), da qual, mais tarde, sua filha, Santa Catarina da Suécia, viria a ser a prioresa. Em 1372, partiu em companhia da filha, Catarina, e de dois filhos, para a Terra Santa.

Foi uma grande mística, cujas experiências de Deus, suas Revelações, publicadas em livro, são a maior prova de seu profundo amor a Jesus e da solidez de sua espiritualidade. Brígida é uma das místicas mais conhecidas nos séculos XIV e XV.

Com Santa Catarina de Sena e Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein), foi proclamada por João Paulo II como patrona da Europa

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Santa Edwiges, protectora dos que têm dívidas


Viúva com três filhos e três filhas, dedica-se a restaurar conventos e a repartir ajudas com grande generosidade aos pobres.
Edviges nasceu na Baviera, Alemanha em 1174. Era irmã de Santa Gertrudes e tia de S. Isabel da Hungria.
Casou com o Duque Henrique de Silesia (região da Polónia) e por conselho dela, o seu marido fundou vários conventos de religiosas, e para os construir levava os presos que estavam nos cárceres, e assim fazia-os ser úteis à pátria. Morto o seu marido, os filhos dedicaram-se a guerrear entre si para disputar a herança do ducado. Edviges teve que trabalhar e viajar muito para conseguir a paz entre eles.
Os longos anos da sua velhice empregou-se em fundar conventos e em ajudar pobres.

A sua pobreza era extrema: dava tudo aos necessitados. Andava descalça sobre a neve e os pés sangravam-lhe. Levava um par de sapatos na cintura e se vinha alguma pessoa, calçava-os e assim não se davam conta da penitência que fazia. Um dia um sacerdote deu-lhe um par de sapatos novos e disse: "Ponho-lhe como penitência calçar sempre estes sapatos". Dias mais tarde encontrou-a descalça. "Não lhe disse que devia trazer os sapatos calçados?" Ela respondeu: "Sim, os levo postos numa maleta que levo às costas". E tirou-os para mostrar.

Dom de milagres: A uma religiosa cega curou-a ao impor-lhe as mãos e rezar por ela. Ela mesma soube com antecipação a data da sua morte. Pediu a Unção dos enfermos, quando não parecia sofrer de enfermidade grave. E em verdade estava a morrer e ninguém o imaginava. As grandes riquezas que lhe deixou o seu esposo, repartiu-as entre os pobres. Morreu em Outubro do ano 1243.
Santa Edviges, pede ao Senhor que nós sejamos mais generosos em repartir os nossos bens com os necessitados.

Oração

Senhor meu Deus, Todo-poderoso, Criador do céu e da terra, Vós que tudo regulais em justiça e misericórdia, aceitai a prece que humildemente Vos dirijo por intermédio de Santa Edwiges, vossa serva, que tanto Vos amou, na terra e que usufrui da graça de contemplar a Vossa divina face.
Santa Edwiges exemplo de fé cristã, espelho do amor divino.
-Vinde em nosso auxílio.
Santa Edwiges, fiel discípula de Cristo, humilde serva do Senhor, modelo de amor à cruz.
-Vinde em nosso auxílio.
Santa Edwiges, bondosa mãe dos pobres, auxílio dos doentes, refúgio dos oprimidos.
-Vinde em nosso auxílio.
Santa Edwiges, modelo das mães cristãs, glória da Santa Igreja.
-Vinde em nosso auxílio.
Santa Edwiges, por amor a Jesus, Maria e José, fazei vossas, as minhas aflições. Apressai-vos em socorrer-me. Amém.

Pai-Nosso e Ave-Maria

quinta-feira, 21 de julho de 2011

China ordena bispo sem autorização do Vaticano


Mantém-se a relação tensa entre o Vaticano e Pequim. Desta vez, Roma critica o regime chinês por ordenar uma vez mais um novo bispo, o que acontece novamente sem autorização do Papa e foi considerado como contrário à “união da Igreja”.

Segundo o director da sala de imprensa da Santa Sé, citado pela agência Ecclesia, este acontecimento foi seguido pelo Papa com “dor e preocupação”. A Associação Patriótica Católica (APC), subordinada a Pequim, ordenou ontem o padre Huang Bingzhang como bispo de Shantou, na província de Guangdong, na costa sudeste da China. Segundo a Rádio Vaticano, “vários bispos “em comunhão com o Papa” foram obrigados pela APC a participar na cerimónia, considerada “ilegítima” pela Santa Sé o que, à luz do Direito Canónico, pode levar à excomunhão dos que ordenaram e foram ordenados na mesma.

Departamento de Informação da Fundação AIS

quarta-feira, 20 de julho de 2011

São Luiz IX


Rei, estadista e cruzado. Cada época histórica tem um homem que a representa. Luís IX é o homem modelo da Idade Média: é um legislador, um herói e um santo... "Marco Aurélio [Imperador romano pagão] mostrou o poder unido à filosofia; Luís IX, o poder unido à santidade. Avantajou-se o cristão" (Chateaubriand, Estudos históricos).

Não surpreende muito que um homem, retirado num claustro e separado das ocasiões de pecado, domine as inclinações desregradas da natureza e progrida na prática das mais belas virtudes do Cristianismo. Mas que um príncipe, ao qual não se tem a liberdade de repreender nem contradizer, e que vivendo em meio às honrarias e às mais perigosas volúpias, domine suas paixões, conservando a inocência e a pureza de coração, é realmente admirável, podendo ser chamado um prodígio na ordem da graça.

Entretanto, aquilo que é impossível para as forças do homem, não o é para Deus. E se a História do Antigo Testamento nos apresenta muitas cabeças coroadas que souberam aliar a santidade com a autoridade soberana, e a qualidade de profeta à de chefe, de juiz e de rei, a História do Novo Testamento nos fornece um número bem maior em quase todos os reinos cristãos.

Nesse mês, dia 25, a Igreja nos propõe um príncipe, que podemos chamar de pérola dos soberanos, glória da coroa da França, modelo de todos os príncipes cristãos; e para dizer tudo em duas palavras, um Monarca verdadeiramente segundo o coração de Deus, da Igreja e do povo.

É o incomparável São Luís, quadragésimo Rei da França desde o início da monarquia, e o nono da terceira raça, da qual Hugo Capeto foi o tronco.

Seu pai foi Luís VIII, filho de Filipe Augusto, e sua mãe a princesa Branca, de quem os historiadores atribuem a glória de haver sido filha, sobrinha, esposa, irmã e tia de reis. Com efeito, seu pai foi Afonso IX, Rei de Castela, que infligiu aos mouros sério revés na batalha de Navas de Tolosa, quando mais de duzentos mil infiéis pereceram no campo de batalha; era sobrinha dos reis Ricardo e João, da Inglaterra; esposa de Luís VIII, Rei da França; irmã de Henrique, Rei de Castela; mãe de São Luís IX e de Carlos, Rei de Nápoles e da Sicília; e tia, através de suas irmãs Urraca e Berengüela, de Sanches, Rei de Portugal, e de São Fernando III, Rei de Leão.

Nasceu São Luís no Castelo de Poissy, a 30 quilômetros de Paris, no dia 25 de abril de 1215, quando em toda a Cristandade procissões solenes comemoravam o dia de São Marcos. Vivia ainda seu avô, Filipe Augusto, o qual acabava de ganhar a célebre batalha de Bouvines, oito anos antes de lhe suceder seu filho, o futuro Luís VIII.

A infância de São Luís foi um espelho de honestidade e sabedoria. Seu pai, que unia virtude e zelo pela religião a uma bravura marcial que lhe valeu o nome de Leão, foi particularmente zeloso na sua educação. Deu-lhe bons preceptores e um sábio governante: Mateus II de Montmorency, primeiro barão cristão; Guilherme des Barres, Conde de Rochefort; e Clemente de Metz, marechal-da-França, que lhe inspiraram os sentimentos que deve ter um rei cristianíssimo e um filho primogênito da Igreja.

Sua mãe, Branca, não poupou esforços para torná-lo um grande rei e um grande Santo, sobretudo após a morte de seu filho primogênito, Filipe. Ela lhe repetia com freqüência estas palavras, dignas de serem imitadas por toda mãe verdadeiramente católica: "Meu filho, eu gostaria muito mais ver-te na sepultura, do que maculado por um só pecado mortal".

Com a morte prematura do Rei aos 40 anos, em 1226, na cidade de Montpellier, quando voltava da guerra contra os hereges albigenses, nosso Santo subiu ao trono, sob a tutela da mãe, tendo sido sagrado na Catedral de Reims em 30 de novembro daquele mesmo ano.

Sua minoridade foi pródiga em guerras intestinas, causadas pela ambição e orgulho de senhores feudais do reino, que desejavam valer-se da pouca idade do soberano para impor as suas pretensões. Mas Deus dissipou todas as facções por uma proteção visível sobre a pessoa sagrada desse jovem Monarca.

Uma minoridade tão conturbada serviu de ocasião para fazer reluzir a prudência, o valor e a bondade daquele que se tornaria um protótipo do Rei Católico.

Matrimônio abençoado por Deus

No dia 27 de maio de 1235, pouco depois de completar 20 anos, casou-se com Margarida, filha mais velha de Raimundo Béranger, Conde de Provence e de Forcalquier, e de Beatriz de Sabóia. Era uma princesa que a graça e a natureza haviam dotado de toda sorte de perfeições, e que lhe daria, ao longo de uma santa e harmoniosa existência, 10 filhos, cinco homens e cinco mulheres. Acompanhou ela o jovem esposo na sua primeira expedição além-mar, e após a morte deste, retirou-se no Mosteiro de Santa Clara, onde terminou seus dias em 20 de dezembro de 1285. Seu corpo, precedido e seguido por pobres, que a chamavam de mãe, foi enterrado em Saint-Denis.

Luís IX procurava acima de tudo tributar a Deus o serviço e a honra que Lhe eram devidos. Este lhe retribuía assistindo-o em todas as necessidades, aconselhando-o nos empreendimentos, protegendo-o dos inimigos e conduzindo a bom termo todas as suas iniciativas.

O segundo de seus filhos varões foi Filipe III, que lhe sucedeu no trono, e cujos filhos foram, por sua vez, Reis, até Henrique III. O caçula de São Luís foi Roberto de Bourbon, cuja descendência subiu ao trono francês durante nove gerações. Das filhas, com exceção de uma, falecida prematuramente, todas foram esposas de Reis.

Educação cristã dos filhos: modelo de pai

Ao contrário de outros Monarcas, que negligenciam a educação dos filhos, ou os deixam, sem maior preocupação, aos cuidados de governantes, São Luís chamava pessoalmente a si o cuidado de os instruir, imprimindo-lhes na alma o desprezo pelos prazeres e vaidades do mundo e o amor pelo soberano Criador. Ele os exercitava normalmente à noite, após as horas Completas, quando os fazia vir a seu quarto a fim de ouvir as suas piedosas exortações. Ensinava-lhes, além disso, a rezar diariamente o Pequeno Ofício de Nossa Senhora, obrigava-os a assistir às Missas de preceito, e incutia-lhes a necessidade da mortificação e da penitência. Às sextas-feiras, por exemplo, não permitia que portassem qualquer ornamento na cabeça, porque foi o dia da coroação de espinhos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Ainda hoje existem os manuscritos das instruções por ele deixadas à sua filha Isabel, Rainha da Navarra: são tão santas e cheias do espírito de Nosso Senhor, que nenhum diretor espiritual, por mais esclarecido que seja, seria capaz de apresentar outras mais excelentes.

O governante: justiceiro e moralizador dos costumes

Se São Luís soube educar tão bem os filhos, foi entretanto ainda mais admirável em governar os negócios públicos. Nunca a França experimentou tanta paz e prosperidade como em sua época. Enquanto as outras nações, em todas as latitudes, estavam em convulsão, os franceses por ele governados gozavam de uma feliz tranqüilidade, assegurada pela sabedoria do Monarca. Ele soube banir do Estado, através de sábias leis, todos os desregramentos então existentes. O primeiro deles foi a blasfêmia e os juramentos ímpios e execráveis. Foram tão rigorosas as punições contra eles estipulados, que o Papa Clemente IV julgou dever atenuá-las.

Outros desregramentos que se esforçou em exterminar foram os duelos, os jogos de azar e a freqüentação a lugares de tolerância. Antes de São Luís, nenhum Rei havia proibido os duelos: toleravam-no, e às vezes o ordenavam, a fim de se conhecer o direito das partes; o que importava meio enganoso e contrário aos preceitos da justiça.

Modelo em tudo para os homens públicos de todos os tempos e sobretudo de nossos dias, Luís IX o era de modo especial no tocante à boa administração dos bens do Estado e ao exímio cumprimento da lei. Assim, por exemplo, quando enviava juizes, oficiais e outros emissários às províncias para ali exercerem durante algum tempo Justiça, proibia-lhes de adquirir bens e empregar seus filhos, com receio de que isso pudesse ensejar a que viessem cometer injustiças.

Nomeava, acima deles, juizes extraordinários para examinar sua conduta e rever seus julgamentos, a exemplo de Deus, que assegura que julgará a Justiça. E se por acaso encontrava que em algo haviam agido mal, impunha-se primeiramente a si mesmo uma severa penitência, como se tivesse sido o culpado pelo excesso praticado por eles, e em seguida ministrava-lhes severa punição, obrigando-os a restituir o que haviam tomado do povo, se fosse esse o caso, ou a reparar aqueles que haviam sido condenados injustamente. Pelo contrário, quando tomava conhecimento de que haviam cumprido dignamente os seus deveres, recompensava-os regiamente e os fazia ascender a funções mais honrosas.

Além de administrar Justiça, não negligenciava o Santo Monarca o cuidado dos pobres.

Zelo pela ortodoxia e piedade

Se foi notório seu zelo em extirpar a libertinagem no reino de França, o que dizer de seu empenho em relação ao extermínio da heresia e ao estabelecimento da Fé e da disciplina cristã? Para isso tomou-se de grande afeição pelos religiosos de São Domingos e de São Francisco, a quem ele via como instrumentos sagrados dos quais a Providência queria se servir para a salvação de uma infinidade de almas resgatadas pelo precioso Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele os convidava com certa freqüência para jantar, sobretudo São Tomás de Aquino e São Boaventura, dois luzeiros a iluminar o firmamento da Santa Igreja a partir da Idade Média.

Um dos traços em que a religiosidade desse grande Monarca mais se manifestou foi a aquisição, junto a Balduíno II, Imperador de Constantinopla, da Coroa de Espinhos de Nosso Senhor Jesus Cristo, para a qual mandou edificar essa verdadeira maravilha da arquitetura gótica que é a Sainte-Chapelle, no coração de Paris.

Voto de cruzar-se: realiza-se a VI Cruzada

Deus, quando suscita numa alma um grande desejo, fá-la não raro passar por uma grande provação antes de atendê-la. Foi o que sucedeu com São Luís, que em 1245 caiu gravemente enfermo, a ponto de alguns terem como certa sua morte. Nessa contingência os franceses, que o amavam como a um pai, fizeram violência ao Céu, organizando vigílias, procissões e outros atos de piedade pela sua convalescença. O Monarca fez então um voto: caso sobrevivesse, partiria para libertar o Santo Sepulcro.

Cumpriu-o três anos depois, ao partir para Lyon, onde se encontrou com o Papa Inocente IV, de quem recebeu a bênção apostólica. Dirigiu-se em seguida para Aigues-Mortes, onde o aguardavam as embarcações que deveriam conduzi-lo com os cruzados ao Oriente. Era o dia 25 de agosto de 1248, data em que se iniciava a VI Cruzada da História.

As naus tocaram inicialmente a Ilha de Chipre, onde o Monarca se viu obrigado a permanecer durante o inverno, devido a uma peste que arrebatou a sexta parte de seu exército. Sua demora e essas perdas foram contudo de algum modo recompensadas pela conquista do Rei de Chipre, a quem São Luís conseguiu convencer de juntar-se à expedição.

Reencetou o Santo Cruzado a sua expedição no dia 13 de maio de 1249, à frente de uma formidável armada de 1800 embarcações, grandes e pequenas. Entretanto, devido às tempestades, mais da metade delas desviou-se da rota. De sorte que, ao passar em revista suas tropas, encontrou apenas 700 cavaleiros, dos 2800 de que se compunha seu exército.

De batalha em batalha; vitorioso numas e com reveses em outras; passando por humilhações pelos pecados de seus soldados ou por honrarias em pleno cativeiro (os emires do Egito quiseram elegê-lo Sultão!); sendo informado do nascimento de um dos filhos em Damiette, em plena época de negociação com os algozes, e do falecimento de sua bondosa mãe, a Rainha Branca, na França; enfrentando pestes e naufrágios, retomou o Rei-Cruzado, em 25 de abril de 1254, festa de São Marcos, o caminho da doce França, onde aportou no dia 19 de julho do mesmo ano. Em 5 de setembro encontrava-se no Castelo de Vincennes, e no dia seguinte entrava solenemente em Paris.

Seu regresso foi acolhido com eloqüentes manifestações de dileção do Papa Clemente IV e de Henrique III, Rei da Inglaterra.

Provações e santa morte do Rei Cruzado

Decidiu então o Santo lançar uma VII Cruzada, a última da História, para a qual se apresentaram seus filhos e Ricardo, Rei da Inglaterra, além de numerosos príncipes e senhores. Após terem sido tomadas todas as providências, partiram em direção a Túnis, no dia 4 de julho de 1270.

Mais uma vez no mar, e eis que outra grande tempestade dispersa as embarcações, fazendo com que muitas sejam impedidas de partir. São entretanto reparadas e chegam todas a Túnis. Mas o rei daquelas terras, bárbaro, traidor e infiel, que havia chamado São Luís à África dizendo que queria tornar-se cristão, sequer permitiu que sua armada descesse. O embate começou então ali mesmo, com os franceses assediando vários pontos nevrálgicos dos infiéis e a própria capital. Como esta resistisse, decidiram dominá-la cortando os víveres.

Mas a decomposição da cidade atingiu o exército francês, que foi logo empestado por todos os lados, ceifando inúmeras vidas. São Luís viu morrer seu filho Jean Tristan, nascido por ocasião do seu cativeiro no Egito, e pouco depois ele mesmo entregaria serena e santamente sua bela alma a Deus, o que se deu no dia 25 de agosto de 1270, precisamente 22 anos após sua partida para a VI Cruzada.

As relíquias de São Luís foram levadas para a França por seu filho Filipe, com exceção das entranhas, destinadas à Abadia de Montréal, na Sicília, a pedido do Rei Carlos, irmão do Santo Monarca. O resto de seu corpo repousa na Abadia de Saint-Denis. Seu culto foi juridicamente examinado e aprovado pelo Papa Bonifácio VIII, que o canonizou em 1297.

Fonte de referência:

Les Petits Bollandistes, Vie des Saints, Typographie des Célestins, ancienne Maison L. Guérin, 1874, t. V, p. 192 a 217, Bar-le-Duc.

Artigo oferecido pela Revista Catolicismo/Lepanto

terça-feira, 19 de julho de 2011

A alegria vem depois da tristeza


Espera confiantemente, a alegria vem depois da tristeza.

Pediste-me que te escrevesse palavras de consolação, a fim de reconfortar o teu ânimo amargurado por tantos golpes dolorosos.
Mas se a tua prudência e sensatez não estão adormecidas, a consolação já chegou, porque as próprias palavras mostram sem sombra de dúvida que Deus te está instruindo como a um filho para alcançares a herança. Assim o indicam claramente estas palavras: Filho se queres servir a Deus, permanece na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a provação (Eclo 2,1-2). Onde existe o temor e a justiça, a prova de qualquer adversidade não é tormento de escravos, mas antes correção paterna.
Porque até o bem-aventurado Job, quando diz no meio dos flagelos da infelicidade: Quem dera que Deus me esmagasse que estendesse a sua mão e pusesse fim à minha vida, logo acrescenta: Terei a minha consolação, porque me atormenta com dores e não me poupa (Job 6,10).
Para os eleitos de Deus, aprovação divina é consolação, porque, através das dores momentâneas que suportam, progridem a grandes passos na firme esperança de alcançar a glória da felicidade eterna.
É para isso que o martelo bate no ouro: para que o ourives possa extrair a escória; é para isso que se usa a lima: para que a veia do vibrante metal brilhe com mais fulgor. É no forno que se experimenta o vaso do oleiro, é na tribulação que se experimentam os homens justos (Eclo 27,5, Vulg.). Porque também diz São Tiago: Considerai como motivo de grande alegria, irmãos, as diversas provações por que tendes passado (Tg 1,2). É a bom título que se devem alegrar aqueles que neste mundo suportam a tribulação temporária pelos seus pecados, mas tem guardada para si no Céu uma recompensa eterna pelas boas obras que praticaram.
Portanto, enquanto te atingem os golpes da desgraça, enquanto és castigado pelos açoites da correção divina, não te deixes vencer pelo desalento, não te queixes nem murmures não te deixes amargurar pela tristeza nem impacientar pela fraqueza de ânimo; mas conserva sempre a serenidade no teu rosto, a alegria no teu coração, a ação de graças na tua boca. São certamente dignos de todo o louvor os desígnios de Deus, que atinge nesta vida os seus para os poupar aos flagelos eternos; abate para elevar, fere para curar, humilha para exaltar.
Portanto, robustece o teu espírito na paciência com estes e outros testemunhos das Escrituras divinas, e espera confiadamente a alegria que vem depois da tristeza. Que a esperança daquela alegria te reanime e a caridade te inflame, de tal modo que o teu espírito, santamente inebriado, esqueça os sofrimentos exteriores e anseie com entusiasmo pelo que interiormente contempla.
Das Cartas de São Pedro Damião, bispo (Liv. 8,6: PL 144, 473-476) (Séc. XI).

Não desperdices o teu sofrimento!
Uma das coisas que mais impressionavam em Jesus era a capacidade que Ele tinha de se compadecer do sofrimento das pessoas.
Ele olhava para cada pessoa em particular e vivia com ela os seus sofrimentos.
Independentemente do que vivemos, Jesus está sempre unido a nós, pois Ele tem um olhar especial pelos que sofrem. É no sofrimento que mais nos parecemos com Ele.
Vivemos num mundo que busca o prazer a qualquer custo, no qual a ideia de prazer foi vinculada à felicidade. Por isso, falar de sofrimento é ir contra a corrente.
Acredita-se que somente seremos felizes se tivermos prazer em tudo o que fazemos.
Desta forma, o sofrimento virou sinónimo de infelicidade.
O cristão é convidado a mostrar ao mundo um testemunho diferente. Mostrar que se damos sentido e significado aos nossos sofrimentos, neles encontramos a felicidade.
Talvez o maior problema hoje seja este: as pessoas andam a desperdiçar o seu sofrimento.

Se eu dou sentido ao sofrimento que vivo, santifico-me. Tu é que escolhes o sentido que vais dar a esta palavra na tua vida. Quantas pessoas – com doenças graves – encontraram sentido para as suas vidas a partir do momento em que começaram a ajudar outras pessoas com o mesmo problema.
O que tornou tantos homens e mulheres santos na história não foi o sofrimento que viveram, mas o sentido que deram ao seu sofrimento. Aprenderam a não desperdiçar estes momentos para se aproximar de Deus e dos outros.

É preciso que aprendamos a sofrer. É preciso que dêmos sentido aos nossos sofrimentos. Uma mulher que vai dar à luz uma criança sofre, mas não pensa nas suas dores; ela só pensa no filho que carregará nos braços e verá crescer. A mãe entende que a alegria que virá depois será muito maior do que o sofrimento presente. São Francisco de Assis dizia: “É tão grande o bem que espero, que todo o sofrimento me é um grande prazer”.

Não há sofrimento grande ou pequeno. Qualquer sofrimento é capaz de nos levar à santidade e lançar no céu. Assim, é preciso que cada um de nós aprenda a viver intensamente as visitas de Deus nos momentos de dor.

A escolha é de cada um. Sofrer por sofrer ou sofrer com sentido – mesmo nos momentos de dor. Usa o teu sofrimento para ir além das tuas limitações, para ir além do que te vês capaz de fazer ou viver. Supera-te!

Se não desperdiçares o teu sofrimento, surgirá nos teus lábios um sorriso capaz de ressuscitar muitos que estavam a prestes a morrer. Isto é santidade. Não desperdices o teu sofrimento!
QUE AGRADÁVEL É MORRER, QUANDO SE TEM VIVIDO SOB A CRUZ

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Beato Bartolomeu dos Mártires, bispo, +1590


Nasceu em Lisboa (na freguesia dos Mártires), em Maio de 1514 e entrou para a ordem dominicana com 14 anos apenas. Foi feito arcebispo de Braga em 1559. Entre 1561 e 1563, participou no Concílio de Trento. Resignou em 1582, tendo-se recolhido ao Convento de Santa Cruz, em Viana do Castelo, onde morreria em 1590.

Eis um excerto do discurso de João Paulo II no dia da sua beatificação:

"O Beato Bartolomeu dos Mártires, dominicano por vocação e ideal de vida, ardia de zelo pela causa de Deus, que é a salvação dos homens, iluminando-lhes o caminho com o Evangelho. Fiel à norma apostólica, "entrega-se assiduamente à oração e ao serviço da palavra" (cf. Act 6, 4), arrastando consigo o clero: promove a sua formação permanente, ao seu alcance poe meios para pregar ao povo e funda o Seminário para preparar dignamente os futuros sacerdotes.

domingo, 17 de julho de 2011

Voe como a águia


Isaías é o maior profeta do Antigo Testamento, exerceu o seu ministério no reino de Judá, tendo se casado com uma esposa conhecida como a profetisa que foi mãe de dois filhos: Sear-Jasube e Maer-Salal-Hás-Baz.

Foi através de uma visão que Isaías foi chamado por Deus para ser profeta. Viu o trono de Deus no templo, acompanhado por serafins, em que um desses seres angelicais teria voado até ele trazendo brasas vivas do altar para purificar seus lábios a fim de purificá-lo de seu pecado. Então, depois disto, Isaías ouve uma voz de Deus determinando que levasse ao povo sua mensagem.

Não o sabes? Não o aprendeste? O Senhor é um Deus eterno. Ele cria os confins da terra, sem jamais fatigar-se nem aborrecer-se; ninguém pode sondar sua sabedoria. Dá forças ao homem acabrunhado, redobra o vigor do fraco.
Até os adolescentes podem esgotar-se, e jovens robustos podem cambalear,
mas aqueles que contam com o Senhor renovam suas forças; ele dá-lhes asas de águia. Correm sem se cansar, vão para a frente sem se fatigar. (Isaías, capítulo 40: 28-31)

É interessante como o Profeta faz analogia com a águia.

Quem conhece essas aves sabem que elas vivem em montanhas rochosas, e até escarpadas, altíssimas, enfrentando fortes ventos e tempestades.

Símbolo do heroísmo singular, essas aves não tem medo.

Na morte, as águias também dão excelente lição de vida.
Você já viu o cadáver de uma águia? É possível que já tenha visto o de uma galinha, de um cachorro, de um pombo ou até de um gato. Mas, com certeza nunca encontrou um cadáver de águia.

Sabe por quê? Porque quando elas sentem que chegou a hora de partir, não se lamentam nem ficam com medo. Localizam o pico de uma montanha inatingível, usam as últimas forças de seu corpo cansado e voam naquela direção. E lá esperam, resignadamente, o momento final. Até para morrer, as águias são extraordinárias.

Quando os seus momentos difíceis chegarem, não desanime. Eleve-se às alturas, voe como uma águia em direção ao Sol. Se eleve pelas orações em direção a Deus, que certamente o confortará. Muitas vezes Deus nos manda provações para fazer-nos se elevar até Ele pela oração. Um convite às alturas.

Por mais que os ventos soprem com força, confie em Deus, pois conforme diz Isaias – o grande Profeta de Deus que viu o Céu: Deus “dá forças ao homem acabrunhado, redobra o vigor do fraco.” [...] “aqueles que contam com o Senhor renovam suas forças; ele dá-lhes asas de águia. Correm sem se cansar, vão para a frente sem se fatigar.”

Recebido por e-mail, desconheço o autor.
Fonte: blog Almas Castelos (cortesia)

sábado, 16 de julho de 2011

Nossa Senhora do Carmo


A ordem dos Carmelitas tem como modelo o profeta Elias e caracteriza-se por uma
profunda devoção a Maria. A Sagrada Escritura fala da beleza do Monte Carmelo, onde o profeta Elias defendeu a fé do povo de Israel no Deus vivo e verdadeiro. Carmelo em hebraico significa "vinha do Senhor".

Ali Elias enfrentou os profetas de Baal. Segundo o Livro das Instituições, Elias teve uma visão em que a Virgem lhe apareceu sob a figura de uma pequena nuvem que saía da terra e se dirigia ao Carmelo.

Em 93, os monges construíram sobre o Monte Carmelo uma capela em honra à Virgem Maria. As gerações de monges sucederam-se através dos tempos. Em 1205, o patriarca de Jerusalém deu-lhes uma Regra baseada no trabalho, na meditação das Escrituras, na devoção a Nossa Senhora, na vida contemplativa e mística.

Entretanto, ainda no século XIII, os muçulmanos invadiram a Terra Santa. Os eremitas do Monte Carmelo fugiram para a Europa. Nesta época, tinham como superior geral São Simão Stock. Enquanto rezava, pedindo a Nossa Senhora que fosse a protectora da Ordem dos Carmelitas, recebeu das mãos de Nossa Senhora do Carmo o escapulário: «Eis o privilégio que te dou à ti e a todos os filhos do Carmelo: "todo o que for revestido desse hábito será salvo".»

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