sábado, 30 de junho de 2012

São Pedro e São Paulo Apóstolos


Hoje a Igreja do mundo inteiro celebra a santidade de vida de São Pedro e São Paulo apóstolos. Estes santos são considerados "os cabeças dos apóstolos" por terem sido os principais líderes da Igreja Cristã Primitiva, tanto por sua fé e pregação, como pelo ardor e zelo missionários.

Pedro, que tinha como primeiro nome Simão, era natural de Betsaida, irmão do Apóstolo André. Pescador, foi chamado pelo próprio Jesus e, deixando tudo, seguiu ao Mestre, estando presente nos momentos mais importantes da vida do Senhor, que lhe deu o nome de Pedro. Em princípio, fraco na fé, chegou a negar Jesus durante o processo que culminaria em Sua morte por crucifixão. O próprio Senhor o confirmou na fé após Sua ressurreição (da qual o apóstolo foi testemunha), tornando-o intrépido pregador do Evangelho através da descida do Espírito Santo de Deus, no Dia de Pentecostes, o que o tornou líder da primeira comunidade. Pregou no Dia de Pentecostes e selou seu apostolado com o próprio sangue, pois foi martirizado em uma das perseguições aos cristãos, sendo crucificado de cabeça para baixo a seu próprio pedido, por não se julgar digno de morrer como seu Senhor, Jesus Cristo.

Escreveu duas Epístolas e, provavelmente, foi a fonte de informações para que São Marcos escrevesse seu Evangelho.

Paulo, cujo nome antes da conversão era Saulo ou Saul, era natural de Tarso. Recebeu educação esmerada "aos pés de Gamaliel", um dos grandes mestres da Lei na época. Tornou-se fariseu zeloso, a ponto de perseguir e aprisionar os cristãos, sendo responsável pela morte de muitos deles.

Converteu-se à fé cristã no caminho de Damasco, quando o próprio Senhor Ressuscitado lhe apareceu e o chamou para o apostolado. Recebeu o batismo do Espírito Santo e preparou-se para o ministério. Tornou-se um grande missionário e doutrinador, fundando muitas comunidades. De perseguidor passou a perseguido, sofreu muito pela fé e foi coroado com o martírio, sofrendo morte por decapitação.

Escreveu treze Epístolas e ficou conhecido como o "Apóstolo dos gentios".

São Pedro e São Paulo, rogai por nós!

NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Nascimento de S. João Baptista



S. João Baptista era filho de Zacarias e de Santa Isabel.
Chamava-se "Baptista" pelo facto de pregar um baptismo de penitência (cf. Lucas 3, 3).João, cujo nome significa "Deus é propício", veio à luz em idade avançada de seus pais (cf. Lucas 1, 36).
Parente de Jesus, foi o precursor do Messias.

É João Baptista que aponta Jesus, dizendo:"Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Dele é que eu disse: 'Depois de mim, vem um homem que passou adiante de mim, porque existia antes de mim'" (João 1, 29 ss.).De si mesmo deu este testemunho:"Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai os caminhos do Senhor..." (João 1, 22 ss.).
S. Lucas, no primeiro capítulo do seu Evangelho, narra a concepção, o nascimento e a pregação de João Baptista, marcando assim o advento do Reino de Deus no meio dos homens.
A Igreja celebra-o, desde os primeiros séculos do Cristianismo.

É o único Santo cujo nascimento (24 de Junho) e martírio são evocados em duas solenidades, pelo povo cristão.
O seu nascimento é celebrado pelo povo com grande júbilo: Cantos e danças folclóricas, fogueiras e quermesses, fazem da sua festa uma das mais populares e queridas da nossa gente (embora infelizmente mais no aspecto profano).



(Agência Ecclesia)

Fonte: blogue Nova Evangelização Católica

quinta-feira, 21 de junho de 2012

S. Luís Gonzaga, religioso, +1591


São Luís Gonzaga nasceu em Mântua, Itália, em 1568 e morreu com 23 anos de idade, em 1591. É o patrono da juventude, e o seu corpo repousa na Igreja de Santo Inácio, em Roma. 


Recebeu educação esmerada e frequentou os ambientes mais sofisticados da alta nobreza italiana: Corte dos Médici, em Florença; Corte de Mântua; Corte de Habsburgos, em Madrid. Foi pajem do príncipe Diego, filho de Filipe II.

Para surpresa de todos, optou pela vida religiosa, derrubando por terra os interesses nele depositados pelo pai. Finalmente conseguiu realizar o seu ideal: entrar para a Companhia de Jesus. Entretanto, viveu ali apenas seis anos. Morreu mártir da caridade ao serviço daqueles atacados pela peste, em Roma, a 21 de Junho de 1591. A 21 de Julho de 1604 a mãe pôde venerar como Beato a Luís, seu filho primogénito. Deixou a coroa de marquês, fez-lhe Deus presente a coroa dos Santos. Morreu aos 24 anos. Foi canonizado por Bento XIII em 1724 e pelo mesmo Papa dado como padroeiro à juventude que estuda.

segunda-feira, 18 de junho de 2012


O vidro e o espelho


Deus não condena as riquezas, mas o mau uso delas. Porém, é de se notar que o dinheiro, muitas vezes, torna-se um empecilho para a prática das virtudes. Sem dinheiro não se vive. Precisamos dele para sobreviver. Mas o apego excessivo aos bens materiais, nos cega. A caridade cristã ensina que, quem tem mais, deve sempre ajudar quem tem menos. Recebi um e-mail muito interessante sobre o assunto, e resolvi fazer esta postagem.

Um jovem muito rico foi ter com um rabi, e lhe pediu um conselho para orientar a vida. Este o conduziu até a janela e perguntou-lhe:

- O que vês através dos vidros?

- Vejo homens que vão e vêm, e um cego pedindo esmolas na rua.

Então o rabi mostrou-lhe um grande espelho e novamente o interrogou:

- Olha neste espelho e dize-me agora o que vês.

- Vejo-me a mim mesmo.

- E já não vês os outros! Repara que a janela e o espelho são ambos feitos da mesma matéria prima, o vidro; mas no espelho, porque há uma fina camada de prata colada ao vidro, não vês nele mais do que a tua pessoa. Deves comparar-te a estas duas espécies de vidro. Pobre, vias os outros e tinhas compaixão por eles. Coberto de prata – rico – vês apenas a ti mesmo. Só valerás alguma coisa, quando tiveres coragem de arrancar o revestimento de prata que tapa os olhos, para poderes de novo ver e amar aos outros.

(lenda da Tradição Judaica)

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Santo António de Lisboa



Santo António nasceu em Lisboa, provavelmente a 15 de Agosto de 1195, numa casa junto das portas da antiga cidade (Porta do Mar), que se pensa ter sido o local onde, mais tarde, se ergueu a Igreja em sua honra. 

Tendo então o nome de Fernando, fez na vizinha Sé os seus primeiros estudos, tomando mais tarde, em 1210 ou 1211, o hábito de Cónego Regrante de Santo Agostinho, em São Vicente de Fora, pela mão do Prior D. Estêvão.

Ali permaneceu até 1213 ou 1214, data em que se deslocou para o austero Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde realizou os seus estudos superiores em Direito Canónico, Ciências, Filosofia e Teologia.

Segundo a tradição, talvez um pouco lendária, o Santo tinha uma memória fora do comum, sabendo de cor não só as Escrituras Sagradas, como também a vida dos Santos Padres.

As relíquias dos Santos Mártires de Marrocos que chegaram a Coimbra em 1220, fizeram-no trocar de Ordem Religiosa, envergando o burel de Frade Franciscano e recolher-se como Eremita nos Olivais (em Coimbra). Foi nessa altura que mudou o seu nome para António e decidiu deslocar-se a Marrocos, onde uma grave doença o reteve todo o inverno na cama. Decidiram os superiores repatriá-lo como medida de convalescença.

Quando de barco regressava a Portugal, desencadeou-se uma enorme tempestade que o arrastou para as costas da Sicília, sendo precisamente na Itália que iria revelar-se como teólogo e grande pregador.

Em 19 de Março de 1222, em Forli, falou perante religiosos Franciscanos e Dominicanos recém ordenados sacerdotes e tão fluentemente o fez que o Provincial pensou dedicá-lo imediatamente ao apostolado.

Fixou-se em Bolonha onde se dedicou ao ensino de Teologia, bem como à sua leitura. Exercendo as funções de pregador, mostrou-se contra as heresias dos Cátaros, Patarinos e Valdenses. Seguiu depois para França com o objectivo de lutar contra os Albijenses e em 1225 prega em Tolosa. Na mesma época, foi-lhe confiada a guarda do Convento de Puy-en-Velay e seria custódio da Província de Limoges, um cargo para que foi eleito pelos Frades da região. Dois anos mais tarde instalou-se em Marselha, mas brevemente seria escolhido para Provincial da Romanha.

Assistiu à canonização de São Francisco em 1228 e deslocou-se a Ferrara, Bolonha e Florença. Durante 1229 as suas pregações dividiram-se entre Vareza, Bréscia, Milão, Verona e Mântua. Esta actividade absorvia-o de tal maneira que a ela passou a dedicar-se exclusivamente. Em 1231, e após contactos com Gregório IX, regressou a Pádua, sendo a Quaresma do ano seguinte marcada por uma série de sermões da sua autoria.

Instalou-se depois em casa do Conde de Tiso, seu amigo pessoal, onde morreu em 1231 no Oratório de Arcela.

O facto de ter sido canonizado um ano após a sua morte, mostra-nos bem qual a importância que teve como Homem, para lhe ter sido atribuída tal honra. Este acto foi realizado pelo Papa Gregório IX, que lhe chamou "Arca do Testamento".

Considerado Doutor da Igreja e alvo de algumas biografias, todos os autores destas obras são unânimes em considerá-lo como um homem superior. Daí os diversos atributos que lhe foram conferidos: "Martelo dos hereges, defensor da fé, arca dos dois Testamentos, oficina de milagres, maravilha da Itália, honra das Espanhas, glória de Portugal, querubim eminentíssimo da religião seráfica, etc.".

Com a sua vida, quase mítica, quase lendária, mas que foi passando de geração em geração, e com os milagres que lhe foram atribuídos em bom número, transformou-se num taumaturgo de importância especial.


segunda-feira, 11 de junho de 2012


A Virgem, a Salvação e a Igreja


Desde o princípio, Deus pensou na Virgem Maria em função do seu desígnio de salvar a humanidade, assumindo a nossa natureza em Jesus Cristo.

Quando o homem caiu, ele nos abriu uma esperança e nela já estava presente a Virgem Maria: “Porei inimizades entre ti e a mulher, e entre a tua posteridade e a posteridade dela. Ela te pisará a cabeça, e tu armarás traições ao seu calcanhar” (Gn 3,15).
Esta mulher é aquela a quem Nosso Senhor se refere como “mulher” em Caná e aos pés da cruz (cf. Jo 2,4; 19,26); é aquela de quem diz o Apóstolo: “Quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, feito da mulher…” (Gl 4,4). Esta mulher fora prenunciada pelos profetas de Israel, sempre ligada à vinda do Messias, que traria a bênção da salvação:
“Uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o seu nome será Emanuel” (Is 7,14); “És tu, Belém…, mas de ti é que me há de sair (o Messias) aquele que há de reinar em Israel,… Por isso Deus os abandonará até ao tempo em que der à aquela (Virgem) que há de dar à luz (o Dominador) , e então as relíquias dos seus irmãos se juntarão aos filhos de Israel” (Mq 5,1s).
O centro de nossa salvação e de nossa esperança é e sempre foi o Messias, o Cristo Salvador. Mas, no desígnio de Deus, aparece ao mesmo tempo a Virgem e Mãe. Ela não é o Centro, mas está no Centro, porque está em Nosso Senhor Jesus Cristo, em função dele e de sua missão redentora.
É assim que Nossa Senhora aparece no Evangelho. Escolhida em Cristo Jesus antes da fundação do mundo (cf. Ef 1,4s), ela foi por Deus preservada da contaminação do pecado que marca a nossa raça. Por isso o anjo, ao dirigir-se a ela, deu-lhe o nome com o qual Deus a conhece desde toda a eternidade: Cheia de Graça (Lc 1,27).
É assim que Gabriel a chamou, é este o nome da Virgem porque é isto que Deus fez nela: unicamente pela graça da paixão, morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo, a Virgem foi, por antecipação, preservada de todo o pecado.

Como diz a fé da Igreja: “Puríssima, na verdade, devia ser a Virgem que nos daria o Salvador, o Cordeiro sem mancha, que tira os nossos pecados”. Como diz ela própria, cheia de júbilo: “O Todo-Poderoso fez grandes coisas em mim!” (Lc 1,49). Foi assim que a Virgem concebeu e deu à luz o nosso Salvador.
Mas, no plano de Deus, esta maternidade da Virgem – sempre Virgem: Virgem concebeu e Virgem deu à luz (cf. Is 7,14) – não deveria ficar somente no plano biológico, mas também estender-se ao plano da graça. Por isso, Nosso Senhor foi elevando sua Mãe para que passasse, pouco a pouco, da maternidade segundo a carne para a maternidade segundo o Espírito: “O que nasceu da carne é carne, e o que nasceu do Espírito é espírito” (Jo 3,6).
Ela, que sempre esteve unida ao seu Filho, apareceu fidelíssima ao pé da cruz: “Entretanto estavam de pé junto à cruz de Jesus sua Mãe…” (cf. Jo 19,25); sofreu profundamente com o seu Unigênito e associou-se de coração maternal ao seu sacrifício, consentindo amorosamente na imolação da vítima que ela havia gerado. Nosso Senhor Jesus Cristo entrega seus discípulos e cada discípulo aos cuidados da Mulher: “Mulher, eis o teu filho” (Jo 19,26).
Ela deverá cuidar maternalmente de cada um dos filhos da Santa Igreja. Ela, que segundo a carne, dera à luz a Nosso Senhor, Cabeça da Igreja, agora vai dar à luz, segundo o Espírito que Jesus vai entregar na cruz (cf. Jo 19,30), ao Corpo, que é a Igreja. Depois, Jesus volta-se para o Discípulo – cada discípulo – e confia: “’Eis a tua Mãe!’ E a partir dessa hora, o discípulo a recebeu em sua casa” (Jo 19,27). Nosso Senhor nos deu à sua Mãe, como filhos. A Virgem como Mãe da Igreja é Mãe de cada discípulo amado por Jesus, um dos frutos da Paixão de Cristo!
É esta mesma Virgem-Mãe que aparece em oração, nos Atos dos Apóstolos (cf. At 1,14), aparece como a Mulher plenamente gloriosa no céu, envolvida no combate à antiga serpente do Gênesis. Esta Mulher é ao mesmo tempo a Virgem Maria e a Santa Igreja, pois uma é imagem da outra, como já ensinavam os antigos doutores da Igreja.
Fonte: Blog Vocacionados Menores/ADF


quinta-feira, 7 de junho de 2012

CORPO DE DEUS

Graças e louvores se dêem a todo o momento ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento!

segunda-feira, 4 de junho de 2012


domingo, 3 de junho de 2012

Pensamentos


“As pessoas te pesam?
Não as carregue nos ombros.
Leva-as no coração.”

“Quando os problemas
se tornam absurdos, os
desafios se tornam
apaixonantes.”

“Feliz de quem entende
que é preciso mudar
muito para ser sempre
o mesmo.”

“ Mais que comum dos dias,
olhei o mais que pude os rostos
dos pobres, gastos pela fome,
esmagados pelas humilhações,
e neles descobri teu rosto,
Cristo Ressuscitado!”

“Para além, muito além
dos egoísmos individuais,
dos egoísmos de classe,
dos egoísmos nacionais,
é preciso abraçar, sorrir,
trabalhar”.

“Um dos meus anseios
de chegar ao infinito
é a esperança de que,
ao menos lá,
as paralelas se encontrem.”

“Esperança é crer na
aventura do amor, jogar
nos homens, pular no
escuro, confiando em Deus.”

“Que importa que eu seja
uma choupana, se mora
em meu barraco a
Santíssima Trindade?”

“Diante do colar belo
como um sonho admirei,
sobretudo o fio que unia
as pedras e se imolava
anônimo para que todos
fossem um.
“O segredo de ser jovem –
mesmo quando os anos
passam, deixando marcas
no corpo – é ter uma
causa a que dedicar
a vida.”

“Os homens gastam-se
tanto em palavras que
não conseguem entender
o silêncio de Deus.”

“Tem pena, Senhor
tem carinho especial
com as pessoas muito
lógicas, muito práticas,
muito realistas, que se
irritam com quem crê
no cavalinho azul.”


D. Helder da Câmara

O Magnificat: o hino triunfal da grandeza de Deus


A festa da Visitação de Nossa Senhora está muito ligada ao Magnificat, que Nossa Senhora cantou nessa ocasião.
O Magnificat é uma obra-prima de raciocínio. Ele mostra bem qual é a estruturação lógica do espírito de Nossa Senhora. E mostra-nos também como no maior transporte de alegria e entusiasmo, Ela se mantém naquilo uma estrutura racional que verdadeiramente impressiona.
É interessante notar como, em Deus, Ela decidiu cantar sobretudo o poder e a grandeza. E os outros atributos de Deus em função de Seu poder e de sua grandeza.
Isto é muito pouco próprio daquilo que convencionalmente se costuma chamar de “piedade doce e aguada”, que, em vez de dar o devido realce ao que diz respeito à grandeza de Deus, apenas dá realce ao que diz respeito à misericórdia de Deus.
É claro que se deve cantar a misericórdia de Deus e se deve cantá-la eternamente; é claro que sem essa misericórdia, nós não seríamos nada. Mas também não se deve ser unilateral e encarar apenas a misericórdia, como também não se deve ter em vista somente sua grandeza. É preciso ter em vista uns e outros atributos de Deus.
É isso que se nota no Magnificat. Ela fala da grandeza, mas às horas tantas descreve a misericórdia como uma das manifestações da grandeza de Deus.
Então, convém-nos focalizar, no Magnificat, dois desses pontos:
– canto eminentemente racional e estruturado. É um cântico que é uma verdadeira tese. Contrário, portanto, da “piedade açucarada”, que é apenas emotiva.
– é, também, um canto onde a visão da grandeza de Deus domina, embora com uma referência, das mais ardentes, à misericórdia de Deus.
Vejam o caráter de tese que tem o Magnificat. Os dois primeiros versos são a tese:
“A minha alma engrandece o Senhor; e o meu espírito se alegrou em extremo em Deus, Meu Salvador.”
O resto são os motivos.
Primeiro motivo:
“Por Ele ter posto os olhos na baixeza de sua escrava, porque eis que de hoje em diante me chamarão bem-aventurada todas as gerações.”
Ou seja, engrandece a Deus porque Ele fez tão grande obra, de uma escrava; de uma simples serva humilde, fez uma rainha que todas as gerações chamarão bem-aventurada. Aqui está uma manifestação do poder de Deus.
Outra razão: “Porque me fez grandes coisas O que é poderoso, e Santo é Seu Nome”.
Ele fez, nEla, grandes coisas, e essas grandes coisas manifestam a grandeza dEle. Ela então engrandece o Senhor.
Outra razão: “Sua misericórdia se estende de geração em geração sobre os que O temem”.
Então, porque Ele fez isto, e porque Sua misericórdia se estende de geração em geração. É outra manifestação de Sua grandeza, de Sua enorme misericórdia, que se estende de geração em geração sobre os que O temem.
Notem que é só sobre aqueles que têm temor de Deus, que têm, portanto, o senso da grandeza de Deus e que diante dessa grandeza, sentem temor. Esse temor é o temor reverencial, o temor do reconhecimento da grandeza, da santidade e bondade de Deus.
O verso seguinte ainda é um argumento para cantar a grandeza de Deus: “Manifestou o poder de seu braço; dissipou os que no seu coração, formavam altivos pensamentos”.
Deus é grande, não em relação aos que O temem, mas em relação aos que não O temem. Em relação a esses, manifestou o poder de seu braço e dispersou os homens maus, no fundo do coração dos quais se formavam pensamentos de orgulho.
Deus é grande na sua capacidade de ferir aqueles que não O temem. Manifesta-se aqui a grandeza da cólera de Deus, depois de ser ter cantado a grandeza da misericórdia de Deus.
Vê-se facilmente como isso é equilibrado, como mostra Deus em todos os seus aspectos e sempre grande em tudo. Como isso é diverso das unilateralidades meladas de uma falsa piedade, que só vê a Deus num aspecto de misericórdia, condescendência, sem a manifestação de Sua grandeza.
Como tudo isto é raciocinado! É uma tese. E segue depois, ponto por ponto, os argumentos da tese.
Outra razão: “Ele depôs do trono os poderosos e elevou os humildes”.
Depor do trono os poderosos não é, evidentemente, tomar um homem que está no trono e tem poder, para tirá-lo do trono e depois colocar os humildes no trono. Seria uma ingenuidade, porque esses humildes se teriam tornado poderosos e seria preciso derrubá-los também. Se o sentido fosse esse, “Ele depôs do trono os poderosos e fez com que todos fossem iguais”, teria um mau sentido, mas teria um sentido. Mas essa forma de “roda gigante”, exaltando os humildes e depondo os poderosos, para depois ter que depor os humildes que ficaram poderosos, é absurda. É evidente que não é assim que isso deve ser entendido.
O que é o poderoso e o que é o humilde?
O humilde é o que fez o que Ela faz nessa canção. Isto é, aquele que atribui tudo a Deus, reconhece que Deus é a origem de todo o bem, a fonte de todo poder. Que, sem o concurso de Deus, nada podemos na ordem sobrenatural e também nada podemos de realmente bom na ordem natural. Ele é o centro de todas as coisas e o Senhor que manda em tudo.
Humildes, por exemplo, eram os poderosos de quem Ela descendia e de quem também descendia Nosso Senhor. Por exemplo, o rei Davi, foi um poderoso, morreu no seu poder, e era humilde porque reconhecia a preeminência e os direitos de Deus.
O poderoso, de que fala a Santíssima Virgem, é quem não reconhece a prevalência dos direitos de Deus (os Mandamentos) e pensa que tem poder independente do concurso divino.
Então, no “Deus depôs os poderosos e elevou os humildes” está a manifestação do poder de Deus “rindo” de todo poder humano. Dá poder a um humilde e este fica poderoso; tira todo o poder a um homem orgulhoso, que só confia em si e este fica sem nada. É a grandeza de Deus, perto da qual todas as grandezas humanas não são absolutamente nada.
E continua: “Encheu de bens os que tinham fome e despediu vazios os que eram ricos.”
Aos que são pobres de espírito, aqueles que têm fome e sede de justiça, encheu de bens. Os que não têm fome e sede de justiça, que são apegados aos bens da terra, esses, despediu empobrecidos. Quer dizer, os ricos, nesse sentido, nada são para Ele. Deus faz dos ricos-pobres, e dos pobres-ricos, conforme entende.
Mais uma manifestação da grandeza de Deus, a proteção que dá ao povo eleito: “Tomou debaixo de sua proteção Israel, assim como havia prometido a nosso pai Abraão, e à sua posteridade para sempre.”
Quer dizer, naquilo que promete, é grande, cumpre sua aliança até o fim. É uma tese, seguida de todos os argumentos até o final, e canta muito equilibradamente a grandeza e a misericórdia de Deus: a grandeza de Deus em sua misericórdia; a grandeza de Deus em sua justiça; o vácuo de todos os homens diante de Deus, e o domínio de Deus sobre todo o universo. É o hino triunfal da grandeza de Deus!
No momento em que Santa Izabel falou a Nossa Senhora, glorificando-A, Ela mostrou que se considerava nada diante dessa grandeza infinita de Deus, que Ela cantou de modo excelente com um ardor e um sentimento extraordinários. Mas, sobretudo, com equilíbrio, numa construção absolutamente racional, que poderia ser comparada a uma construção da Suma Teológica de Santo Tomás. O Magnificat é de tal maneira pensado a fundo e articulado. E Ela o compôs sob inspiração do Espírito Santo, na hora, quando foi saudada por Santa Izabel.
Nas poucas coisas que Nossa Senhora disse, que se registram no Evangelho, transparece esta nota racional. Por exemplo, quando Ela recebeu o anuncio de que deveria ser a Mãe do Salvador. Ela respondeu com uma objeção de caráter eminentemente racional: “Como pode ser isto, pois tenho um voto de virgindade?”
O anjo deu-lhe uma explicação, quase como um silogismo. Ela, tendo a resposta: “Eis aqui a escrava do Senhor, portanto, faça-se em mim segundo a sua palavra”. É uma atitude consequente. Ela dá um princípio e tira uma conclusão.
Outra manifestação é quando encontrou o menino Jesus no Templo. A pergunta é uma pergunta cheia de aflição, cheia de angústia, mas que pede uma explicação: “Meu Filho, por que fizeste isto conosco? Teu Pai e eu te procurávamos aflitos”. É, mais uma vez, um pedido de explicação.
Compreendemos assim como a verdadeira alma católica, sem ser absolutamente uma alma racionalista, é uma alma cheia de razão, cheia de pensamento, cheia de densidade em tudo que diz e faz.
Nossa Senhora, Sede da Sabedoria, representa então a nós, como o exemplo da razoabilidade, o exemplo da ponderação, e exemplo da medida em tudo que se pensa e se diz.
No Magnificat não há uma palavra que sobre, não há um pensamento que não esteja colocado no lugar. É uma joia perfeita, em que cada pedra está colocada em seu lugar próprio para dar uma ideia do conjunto.
Aí temos o espírito de Nossa Senhora, tão diferente da bobeira dos sentimentalismos fátuos, dos entusiasmos vazios próprios da piedade superficial e boba. É um produto da razão. Não nasce de uma exacerbação do sentimento, nem de uma irrefletida postura de alma.
Ser devoto de Nossa Senhora
Dessa forma podemos compreender, de um modo descritivo, como Nossa Senhora é a Sede da Sabedoria. E também como ser autêntico devoto de Maria Santíssima: procurando ter essa sabedoria, essa ponderação, essa grande estruturação de pensamentos, conforme o nível intelectual de cada um. Mas esforçando-se fazer tudo razoavelmente, com a razão dominada pela Fé e com o sentimento em consonância com a razão. De maneira que o sentimento se exerce quando a razão manda, e cessa sua ação quando a razão se opõe.
Então, temos no Magnificat uma escola de vida espiritual na imitação de Nossa Senhora.
A propósito da Visitação é bom lembrar um outro ponto: quando Nossa Senhora falou, São João Batista, no seio de Santa Isabel, ouviu a Sua voz e estremeceu de gáudio. Igualmente, quanta alegria santa sentimos quando estremecemos diante das inspirações de Nossa Senhora em nossos corações!
Vamos pedir a Nossa Senhora que, ao par das provações que Ela nos dá, dê-nos também por ocasião de suas festas, uma dessas “palavras interiores” em que a gente exulta de gáudio e tem ânimo para carregar, por Ela, todas as cruzes até chegar o fim da vida.

Fonte: Resumo de exposição feita pelo Prof. Plínio Corrêa de Oliveira, em 02/07/1963 /ADF



Beato João XXIII, papa, +1963

Nasceu em Sotto il Monte, Bérgamo, em 1881. Papa entre 1958 e 1963, Angelo Giuseppe Roncalli chegou ao episcopado em 1925 foi visitador apostólico da Bulgária e posteriormente delegado apostólico da Turquia e Grécia (1935). Pio XII enviou-o como núncio para Paris em 1944 e, em 1953, nomeou-o cardeal patriarca de Veneza. Neste último posto convocou um concílio e restaurou a Basílica de São Marcos. 

Quase imediatamente depois de ser elevado ao pontificado convocou um concílio em Roma, o Concílio Vaticano II, que se iniciou em 1962. Ampliou o colégio cardinalício e abriu o diálogo da Igreja Católica com o mundo, além de favorecer as relações com os cristãos das diversas confissões, para o que criou o Secretariado para a União dos Cristãos. O seu magistério teve a sua melhor expressão nas encíclicas "Mater et magistra" e "Pacem in terris".

sexta-feira, 1 de junho de 2012

FRASE DO DIA



- A finalidade de todas as nossas obras é o amor.
Este é o fim; é para alcançá-lo que corremos. Uma vez chegados, é nele que repousaremos.
Sto Agostinho

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