terça-feira, 10 de julho de 2012


O Bem-aventurado João Haroldo narra o acontecido com um homem que vivia continuamente em pecado mortal.
Sua mulher, pessoa de profunda piedade, não podendo conseguir que ele mudasse de vida, obteve, à força de pedidos e súplicas, que rezasse uma Ave-Maria cada vez que encontrasse na estrada uma imagem da Santíssima Virgem. Mais por agradar do que por devoção, aquele desgraçado prometeu e cumpriu sua promessa.
Um dia, quando ia para uma orgia, viu brilhar uma luz a pouca distância. Aproximou-se, como que impelido por mão invisível e misteriosa, e logo se lhe deparou uma estátua de Maria com Jesus nos braços.
Conforme havia prometido à sua esposa, rezou a Ave-Maria. Mas quando ia acabar, reparou que o Menino Jesus estava coberto de feridas, das quais o sangue corria abundantemente. Ele pensou:
— Ai de mim! São meus pecados que abriram estas chagas em meu divino Redentor.
Estas reflexões arrancaram-lhe lágrimas dos olhos. Mas o Menino Jesus desviou dele seu olhar. Então o pecador, com grande vergonha e confusão, dirigiu-se à Maria:
— Mãe de misericórdia, vosso Filho me rejeita. Intercedei por mim, pois vós sois meu único refúgio.
— Oh! Pecador ingrato! — respondeu-lhe Maria. Chamais-me de mãe de misericórdia e me tornais a mais miserável das mães, renovando a Paixão de meu Filho e as angústias que nela sofri.
Contudo, como Maria não pode despedir ninguém sem consolação, pôs-se a pedir a seu Filho por aquele pecador contrito. Jesus mostrava-se pouco inclinado a perdoar. Então a Virgem compassiva, depondo o Menino Jesus no chão e ajoelhando-se a seus pés, disse:
— Oh! Meu Filho! Não me levantarei enquanto não houver obtido o perdão para este infeliz.
— Minha Mãe, nada posso negar-vos. Que este pecador chegue-se mais perto e venha beijar minhas chagas.
O homem, arrebatado pela gratidão, aproximou-se do Divino Menino, cujas chagas se fechavam à medida que ele ia encostando nelas os lábios. Jesus dignou-se abraçá-lo, como sinal de reconciliação.
A conversão daquele pecador foi sincera e duradoura. Passou ele o resto da vida na prática de todas as virtudes cristãs e salientou-se por uma afetuosa gratidão para com Aquela que lhe restituíra, por um modo tão imprevisto, a amizade de seu Deus.
(Fonte: “Maria ensinada à mocidade” – Livraria Francisco Alves, Rio, 1915)
Extraído do blog: Orações e Milagres medievais

Observação: Esse fato mostra como é possível uma pessoa com autêntico amor de Deus fazer bem espiritual aos outros, não só mas antes de tudo, procurando levá-los a praticarem algum ato de piedade por intermédio da Santíssima Virgem Maria, a Medianeira de todas as Graças.

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