sexta-feira, 24 de setembro de 2010

IGREJA MISSIONÁRIA


Jesus foi enviado por Deus para comunicar a todos os homens o seu amor e os convidar a partilhar a vida divina. Por isso, andava pelos caminhos, ia de aldeia em aldeia, de cidade em cidade, da Galileia para a Judeia. Recusava deixar-se condicionar pela popularidade que a sua mensagem e acção suscitava, como conta S. Marcos (1, 36-38): “Simão e os que estavam com Ele seguiram-no. E, tendo-o encontrado, disseram-lhe: «Todos te procuram.» Mas Ele respondeu-lhes: «Vamos para outra parte, para as aldeias vizinhas, a fim de pregar aí, pois foi para isso que Eu vim»”.

Aos seus discípulos, Jesus torna-os participantes da sua própria missão, dizendo-lhes: “Como o Pai me enviou também eu vos envio a vós” (Jo 20,21). Eles começaram então a transmitir a quem encontravam os mesmos bens divinos que haviam recebido do seu mestre. Assim se iam constituindo comunidades de fiéis em diferentes cidades e regiões, como se relata no livro dos Actos dos Apóstolos. Deste modo, desde o início, a Igreja tornou-se missionária, aberta a todos os homens e empenhada em torná-los participantes dos dons espirituais de que vive. Ser missionária significa que não pode ficar fechada sobre si mesma.
Ao longo da história, o Evangelho de Cristo, através de obras e palavras, foi levado sucessivamente a mais homens e povos, saltando do Médio Oriente para Roma e irradiando, em várias épocas, por toda a Europa. Entretanto também os outros continentes foram recebendo, pouco a pouco, a mensagem cristã, que chegou a todo o mundo, ainda que muitos homens e mulheres a não conheçam e outros a não tenham acolhido. A missão continua, portanto, também nos nossos dias. Hoje, fala-se da “missão exterior” e da “missão no interior”: a primeira refere-se à actividade de levar o Evangelho aos povos e países sem nenhuma ou com reduzida presença de cristãos; a segunda, ao empenho na “nova evangelização” dos países onde o cristianismo já foi florescente.

No nosso tempo, a Igreja compreendeu que toda ela é missionária. Levar o Evangelho a todos é a sua vocação, é dom e responsabilidade inerente à fé cristã. Por isso, deve envolver não apenas alguns mas todos os baptizados, sejam eles sacerdotes, bispos, religiosos e religiosas, fiéis leigos, casados ou solteiros. Nenhum cristão está fora do dinamismo da missão. O mandado de Cristo, “como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós”, é dirigido a todos os membros da Igreja. E faz-se sentir em cada comunidade cristã e mesmo nas famílias. A missão é vocação de cada baptizado.

São múltiplas e variadas as formas de realizar a missão quer no “exterior” quer no “interior”. Há quem receba o chamamento para deixar tudo e partir por causa do evangelho, por tempo indeterminado. Assim acontece com os homens e mulheres que recebem uma vocação missionária. E o mesmo se pode dizer dos sacerdotes, dos religiosos e das religiosas: o chamamento que receberam e a entrega que fizeram de si mesmos torna-os missionários de Cristo e da Igreja. A sua vida é dedicada a irradiar e a alimentar a fé nos outros, mediante obras e palavras. Serão tanto mais missionários quanto mais souberem corresponder com todo o seu ser e a sua vida ao mandato de Cristo: “Também eu vos envio a vós”. É por Cristo que fazem o que fazem.

Felizmente, há hoje novas formas de realizar a missão cristã. Há jovens que partem, por tempo mais ou menos prolongado, para testemunhar a beleza da fé e servir generosamente o seu próximo. Acontece também haver famílias que sentem o chamamento à missão e deixam a sua terra para irem por causa do Evangelho para outras paragens. Aí partilham com quem encontram as graças divinas. A missão da Igreja não tem fronteiras: há quem vai e quem vem, de longe ou de perto, de qualquer idade ou vocação, por muito ou por pouco tempo… O importante é que ninguém morra de sede por não lhe ter sido oferecida a “água viva” do Evangelho, ou de frio por não ter encontrado quem o aquecesse com o fogo do amor divino, ou sozinho, por não haver quem fosse em nome de Deus sua companhia. A missão da Igreja vive-se em cada casa, aldeia, vila, cidade, país e continente, mas não se detém a nenhuma porta, barreira ou fronteira… Cristo não se pode reter nem se detém. Continua a dizer-nos: “Vamos para outra parte, para aí pregar também…”.

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