domingo, 3 de julho de 2011

A Boa Vontade


Para se santificar, a alma só tem necessidade de boa vontade. Guardá-la intacta e desenvolvê-la sem cessar, tal deve ser o fim constante e único de sua vida. “A boa vontade, dizia santo Alberto Magno, supre tudo, está cima de tudo” (De adherendo Deo, cap. VI).

A boa vontade entrega o homem inteiro a Deus, por um ato muito simples de amor; abandona o passado à sua misericórdia; confia o futuro à sua bondade; e só reserva para si o presente para santificá-la.

A boa vontade é uma orientação, em tudo, do homem para seu Deus, uma coordenação de todas suas faculdades para Ele, uma restauração da harmonia entre a criatura e o Criador, uma volta amorosa do filho para seu Pai celeste.

Ela é uma resolução generosa da alma de se consagrar à gloria do divino Mestre e de procurar o bem do próximo na medida de suas forças.

Ela é uma renúncia completa de tudo aquilo que está em desacordo com a ordem divina, um sacrifício de todo o interesse próprio, um esquecimento interior e uma despreocupação constante de si mesmo.

Essa boa vontade conserva-se a mesma tanto na aridez e penúria como na consolação e abundância; na tribulação e inquietação como na paz e tranqüilidade; nos embaraços e multiplicidade de ocupações como na doçura e gozos da oração.

Seu ato é um movimento simples do coração que se entrega por completo, disposto a tudo aceitar, a tudo sofrer, desde que o divino beneplácito lhe seja manifestado.

A boa vontade permanece sincera, não obstante as fraquezas e as inconstâncias da alma, as faltas veniais passageiras, as quedas ofensivas do amor próprio.

A alma não se santifica em um dia. A vida inteira é concedida para este fim. Depois de cada recaída, a vontade entrega-se com simplicidade a Deus, mais uma vez abandona-se humildemente a Ele, até que se ache fixada definitivamente nEle. A boa vontade não depende da vivacidade da imaginação, da penetração da inteligência, das qualidades naturais do seu coração, das vantagens da fortuna, da situação ou do nascimento. Ela é um ato essencialmente espiritual da livre vontade, um movimento simples para Deus, um olhar amoroso para Ele.

Está no poder de toda pessoa que tenha uma vontade livre e que é ajudada pela graça, obtida pela intercessão da Santíssima Virgem, por meio da oração constante.

Fonte: A Boa Vontade – Editora Vozes – Petrópolis – RJ – 1937. /AASCJ

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