sábado, 3 de setembro de 2011

A ciência de Nossa Senhora – Nossa Senhora, Sede da Sabedoria


“Deus tinha cumulado Nossa Senhora de todos os dons da ciência. Não havia um mistério que não fosse conhecido, tanto quanto poderia sê-lo por uma simples criatura. Não havia uma passagem da Escritura que Ela não compreendesse. Muitos escritores eclesiásticos acrescentam que não havia uma ciência natural que Ela ignorasse. E por que não seria assim, uma vez que esse favor tinha sido feito a Salomão e, como diz o Apóstolo, “as coisas criadas são outros tantos meios de nos elevar para as incriadas e invisíveis a fim de contemplar aquilo que cai debaixo de nossos sentidos em direção às verdades eternas?”

Esse trecho foi extraído de um excelente livro de autor anônimo, de 1869, indicado apenas como sendo “un docteur em théologie”, falando da ciência de Nossa Senhora.

A ciência se distingue e não se confunde com a sabedoria. A ciência é um conhecimento prodigioso de todas as coisas, por meio do qual a pessoa é capaz de, depois, dar uma ordenação sapiencial a esse conhecimento. Poder-se-ia dizer que a ciência é uma “matéria prima” da sabedoria. É o conhecimento dos fatos ou coisas, que a sabedoria depois ordena para um fim a ser alcançado.

Assim como há a virtude natural da ciência pela qual o homem, por sua natureza racional, conhece muitas coisas, assim existe o dom da ciência que vem do divino Espírito Santo, que é um fortalecimento e uma ilustração da inteligência do homem, pelo qual ele se torna capaz de conhecer, e efetivamente conhece, muito mais do que, pela sua natureza, ele não conheceria.

Então, o autor sustenta que, no que diz respeito ao dom de ciência, Nossa Senhora tinha toda a ciência sobrenatural que uma mera criatura possa ter. Tudo aquilo que Deus pode dar de sobrenatural como conhecimento a uma criatura, a respeito da religião, Deus deu a Ela.

Quer dizer que as Sagradas Escrituras, que apresentam tantos trechos sublimemente difíceis – a respeito dos quais a Providência permitiu que até grandes teólogos entrassem em discussão entre si – para Ela não havia nenhuma dificuldade. Tudo quanto diz respeito a Deus e à ordem da salvação eterna, Nossa Senhora conhecia tanto quanto uma criatura pode conhecer.

Ademais, como dizem os teólogos, Nossa Senhora tinha também toda a ciência natural. Quer dizer, além de conhecer as verdades da religião, da Revelação e da graça, Ela conhecia completamente todos os segredos da natureza. Ela tinha uma ciência inteira da criação.

A Sagrada Escritura diz que Salomão, antes de sua prevaricação, conheceu todos os segredos da natureza. Então não é crível que Deus tenha negado a Nossa Senhora algo que deu a uma pessoa que Ele amou muito, mas que era incomparávelmente inferior a Nossa Senhora, porque todo o mundo é incomparavelmente inferior a Ela. Se Ele deu para quem era tão pouco, porque não daria para quem era tanto?

Ademais, a Escritura diz também que cada criatura é um meio que nós temos de subir até Deus. Desde a natureza dos caramujos, até as ondas hertzianas ou qualquer outro elemento da natureza, tudo serve para a pessoa subir até Deus.

Assim, a pessoa sublimemente reta e sobrenaturalizada, quanto mais conhece a criação natural, mais meios tem de subir até Deus. Ora, Deus recusaria a Nossa Senhora algum conhecimento natural que era um meio para subir até Ele? Certamente não. Então, Nossa Senhora tinha o dom de ciência universal. Ela conhecia tudo, nada havia que para Ela não fosse inteiramente notório.

Para os idólatras do progresso material, faria bem imaginar que Nossa Senhora conhecia, por exemplo, tudo quanto diz respeito a rádio, e que Ela entendia de rádio incomparavelmente mais do que os “prêmios Nobeis” de hoje, de amanhã ou depois de amanhã. Para Ela eles são umas “crianças” em comparação da imensidade do que Ela sabia.

Em relação, por exemplo, aos segredos do Egito, e como aqueles faraós construíam aqueles monumentos, Nossa Senhora tinha conhecimentos tais que aquilo era o balbucio da arte em comparação com o que Ela sabia. Em relação aos oceanógrafos, que descobrem um novo tipo de animal ou de uma nova planta submarina, Nossa Senhora tinha o “inventário” completo e tudo conhecido pela sua natureza intrínseca.

A respeito do corpo humano, todas as doenças, todas as curas, toda a singularidade, Nossa Senhora conhecia mais do que todos os médicos somados, do passado, presente e do futuro, mais do que todos os anjos que conhecem plenamente a natureza. Por que? Porque Ela tinha um conhecimento tão profundo quanto a mera criatura poder ter.

Dessa forma, podemos imaginar a cena de Nossa Senhora folheando e examinando algum papiro da Sagrada Escritura, e fazendo uma meditação profundíssima. Ou olhando para alguma plantinha, alguma flor, de algum jardim, e pensando numa célula que está ali dentro, no que se diferencia de todas as outras células, e dando glória a Deus pelo esplendor único que aquela célula tem e que nenhuma outra célula do gênero tem, ou terá, dentro da insondável coleção de células vegetais que Deus criou desde o começo até o fim do mundo.

Com isso, naturalmente, pode-se imaginar as elevações naturais e sobrenaturais de Nossa Senhora na proporção de seu conhecimento do passado e do futuro, e então calcular sua inundação de santidade, de ciência e de sabedoria. É a grande “catedral” de Deus, a criatura que satisfez a Ele completamente, na proporção e na medida de uma criatura.

O que é mais extraordinário é que, conhecendo tudo, entretanto um “véu” encobria determinados aspectos. Ela não percebia que seria convidada para ser a Mãe de Deus. Foi preciso o anjo anunciar. Ela até queria ser a escrava da Mãe de Deus. Teve inclusive a impensável glória de praticar a devoção a Si mesma, sem saber que Ela era objeto da Sua própria devoção. Nossa Senhora foi sublime até no que Deus Lhe ocultou. Naquelas coisas únicas que Deus lhe ocultou, foi mais bela do que se Ela tivesse sabido!

Essas considerações nos mostram como Nossa Senhora é o “palácio”, a “catedral”, o “jardim” de Deus, perfeitamente perfeito, e com tais graus de beleza, que é absolutamente insondável. Só no céu é que vamos compreender inteiramente o que é Nossa Senhora. Aí compreenderemos a frase de Nosso Senhor: “serei Eu mesmo a vossa recompensa demasiadamente grande”. Porque, se quase não cabemos dentro de nós mesmos de tanto contentamento ao pensar na honra e alegria em estar com Nossa Senhora, o que dizer de quando pudermos contemplar Nosso Senhor Jesus Cristo, a natureza divina, a essência divina, face a face? Estaremos saturados de ordem, saturados de sublimidade, saturados da santidade, saturados de paz, não no sentido de dizer que não agüentamos mais, mas no sentido de plenos e replenos disso, com a plenitude que não podemos nem sequer imaginar.

Aí temos um pouco uma idéia do céu. E podemos percebem também como as pessoas, se aplicassem mais a considerações dessa ordem, teriam mais esperança no futuro e mais ânimo para a prática da virtude!

Peçamos, por fim: Coração de Maria, espelho de todas as perfeições divinas, rogai por nós!

(Cor Mariae, spéculum ómnium divinárum, ora pro nobis)

Fonte: ADF

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