quarta-feira, 15 de junho de 2011

Nossa Senhora Auxiliadora dos Cristãos: missão, vontade e poder


Nossa Senhora Auxiliadora dos Cristãos é Nossa Senhora enquanto tendo a missão, a vontade e o poder de auxiliar os cristãos.

Cada um desses conceitos – missão, vontade e poder – merece, pois, um comentário.

Antes de tudo, a missão.

Nossa Senhora foi criada para ser mãe, de modo especial, de todos os cristãos. E, de modo geral, de todos os homens. Ela tem, portanto como mãe, essa missão que a Providência entregou a todas as mães: velar pelos seus filhos.

Agora, essa missão não deve ser vista, no caso, como a de uma mãe junto ao filho adulto. Por mais respeitável, por mais dileto que seja o papel da mãe em todas as idades do filho, é claro que há uma idade em que o homem carrega a responsabilidade de seu próprio destino, em que ele até mais protege a mãe do que é protegido por ela.

Nós devemos ver as nossas relações como Nossa Senhora não como a de pessoa adulta com a mãe, mas de uma criança em relação à mãe. Porque a missão dEla junto a nós é essa! Este é o melhor “suco” da piedade católica, nesse gênero de assunto.

Como se explica isso?

Cada pessoa está nessa terra num período de prova. É um período de luta, em que sua alma está se desenvolvendo para a maturidade plena que ela deve ter no momento da morte. De tal maneira que, visto do céu, ela é uma criança em formação. A nossa verdadeira idade adulta é a idade em que Deus colher a nossa alma. Porque, pelo menos se tivermos sido fiéis à graça, essa será a plenitude para qual fomos criados.

De maneira que, do ponto de vista do céu, a terra é um educandário. E a maturidade é a morte. Nossa Senhora nos vê, portanto, como crianças em formação.

Ainda mais na perspectiva do mundo de hoje, com todos os desastres, as desordens, os desregramentos morais, o caos que nele existe, é tal a precariedade, é tal o desatino humano, que visto do céu, o homem é como uma criança. E, a maior parte infelizmente, como uma criança mal encaminha!

Compreende-se, portanto, que Nossa Senhora tenha, para conosco, a missão que uma mãe tem para com um filho menor. E bem menor… Quer dizer, de dar uma assistência inteira, de estar presente a todas as horas, proteger de todos os modos. É o que Nossa Senhora faz. A todo momento Ela tem conhecimento, simultâneo e perfeito, da situação de todas as pessoas. E Ela ama a cada uma como nunca uma mãe terrena amou tanto seu filho.

Por exemplo, ama muito mais do que Santa Mônica amou Santo Agostinho. Podemos imaginar então todas as solicitudes de Nossa Senhora. E compreender a missão que Ela tem de acompanhar a cada um de nós, obter as graças e guiar a vida de cada um, de tal maneira como se aquela pessoa fosse a única a existir.

Este é um ponto que é preciso sublinhar. Muitas pessoas têm a impressão de que Nossa Senhora olha todos os homens como quem olha para uma multidão… Cada pessoa é, portanto, um “ponto” dentro dessa multidão que Ela mal discerne; quando, da parte de alguém há um brado muito angustiado, Ela pode prestar um pouco mais de atenção. Fora disso, aquilo se perde no tumulto da humanidade.

Essa concepção é completamente falsa. A realidade é inteiramente o contrário: Nossa Senhora conhece, vê e ama cada pessoa como se existisse apenas ela!

Imaginemos nossa reação se o Anjo da Guarda aparecesse e nos dissesse: “agora Nossa Senhora vai parar uma hora de atender as orações do mundo inteiro, para só olhar para você; no universo inteiro se fará um silêncio; apenas a súplica sua subirá à Nossa Senhora e as graças de Nossa Senhora descerão para você”. Em primeiro lugar, nós ficaríamos para lá de comovidos: que honra! não mereço!… Mas, de outro lado, que maravilha! Que gratidão!

Ora, a todo o momento isto se dá. Quando rezamos a Nossa Senhora, é como se cada um rezasse, sozinho, o universo inteiro tivesse parado, e Ela estivesse prestando atenção só naquele!

É indispensável pormos isso na cabeça, porque, do contrário, não há piedade marial verdadeiramente viva. Fica tudo limitado, sem vôo e nem consistência.

Esta é a realidade. Agora, de fato, se Nossa Senhora, durante um minuto, por assim dizer, abandonasse o universo para olhar só para um, o universo ruiria naquele momento, pelo fato de Ela ser a rainha do Universo e Medianeira de todas as graças para os homens. De tal maneira o papel dEla é central, e contínuo.

Agora, a vontade (o desejo, o prazer) de Nossa Senhora está em auxiliar os cristãos.

Nossa Senhora não é infinitamente perfeita. Ela é uma mera criatura. Mas é insondavelmente perfeita! Ora, uma pessoa perfeitíssima ama com amor perfeitíssimo sua própria missão, dada por Deus.

Por isso Nossa Senhora quer bem a cada um de nós, individualmente, como cada um é, conhecido daquele jeito que é, com aquela espécie de desinteresse do amor materno, em que a mãe quer o filho não por causa de suas eventuais qualidades, nem do auxílio, nem de nada, mas é porque é filho dela.

Tudo quanto uma mãe tem de bom, Nossa Senhora tem de um modo inimaginável por nós. Nossa Senhora gosta de nos olhar, de nos querer bem e de ser bem querida por nós, na medida em que formos conformes a Deus, ou possamos nos converter para Deus. Mas é assim que Ela nos quer.

De maneira que, quando um de nós se ajoelha diante de uma imagem de Nossa Senhora, ou está rezando mesmo longe de uma imagem, deve ter a idéia de que esse ato é verdadeiramente grato a Nossa Senhora. E isso ainda que esteja em estado de pecado, pelo desejo que tem Nossa Senhora de nos tirar do pecado.

Tudo isto pela vontade de Nossa Senhora em nos ajudar. Porque mãe é assim. Quando a mãe tem esse desejo em relação ao filho, ela quer ajudar de todo jeito, de todo modo, a todo momento.

Por fim, o poder. Nossa Senhora tem o poder de nos ajudar. Ela, a todo momento, nos ajuda. Ajuda sobretudo para a vida espiritual, para nos santificarmos, e também para servirmos a causa católica. Ajuda-nos em todas as nossas necessidades, inclusive pequenas.

Uma pessoa verdadeiramente devota de Nossa Senhora pede a Ela tudo… Deve estar pedindo continuamente, tudo, desde que convenha para sua santificação e sua salvação. Pode até pedir o seguinte: “Minha Mãe, dai um jeito de tal coisa… convir à minha santificação, porque eu estou querendo muito ter tal coisa”. Porque podemos e devemos ter a “liberdade filial” com Nossa Senhora. Não deve haver nada de hirto dentro de nossa devoção para com Ela.

É real que às vezes Nossa Senhora não atende, porque a mãe que atende tudo o que o filho quer, não é boa. Mas aí Nossa Senhora nos dá uma outra coisa qualquer, melhor do que a que nós pedimos…

Hoje todo mundo vive no corre-corre, e com falta de tempo. O certo é que, se rezarmos mais, haverá mais tempo para tudo. Porque sai menos enguiço, menos encrenca, as coisas se arranjam melhor, dá tempo para tudo, porque Nossa Senhora nos sustenta até nas coisinhas. É questão de pedir, de pedir de todo jeito e pedir empenhadamente.

Uma última consideração:

Nossa Senhora, Auxílios dos Cristãos. O que faz aí a palavra “cristãos”?

É que Nossa Senhora é, antes de tudo, a Mãe dos cristãos. Por “cristãos” deve-se entender o católico. Não entra ecumenismo nisso. É o católico, apostólico, romano. Ela é Mãe também dos pagãos ou de outras religiões para os trazer à Igreja, ou para os salvar, porque alguns se salvam. Mas o melhor de seu amor materno é para os católicos.

Agora, se o melhor de seu amor é para os que têm verdadeira fé, o que dizer do amor dEla para com aqueles que dedicam a vida ao serviço da fé? Já não é uma prova de amor ter sido chamado para isso? Nós não merecemos de nenhum modo. Entretanto Ela nos chama para propagar a devoção a Ela.

Agora, somos chamados para a propagação da fé, em que época? Numa época de apostasia universal, inclusive dentro da Igreja. Vemos como um privilégio enorme São João Evangelista ter estado ao pé da cruz naquela hora. Sermos os filhos inteiramente fiéis dentro da Igreja, sem pacto nenhum com a impiedade ou a falsa piedade, reagir contra ela, ser perseguido por ela, é estar ao pé da cruz numa hora de abandono como nunca houve, desde que Nosso Senhor morreu, porque nunca a fé foi tão abandonada.

De maneira que, quando rezamos a Nossa Senhora, nos deveríamos considerar ao pé da cruz, com Nosso Senhor agonizante e Ela nos tendo chamado para aquela solidão e para a participação naquela dor.

Quanta coisa nós nos atreveríamos a pedir ao pé da cruz! Quanto perdão, quantas graças!

Como bem diz Santo Agostinho, o bom ladrão “roubou” o Céu. Foi o primeiro canonizado e provavelmente não será “cassado”. Como é que ele obteve isso? Teologicamente é certo: pela oração de Nossa Senhora. Porque é Ela Medianeira universal; só se obtém as coisas por meio dEla.

Se até o bom ladrão obteve perdão e se salvou, quanto mais nós obteremos graças para nós e também para os demais necessitados. Então, devemos rezar e muitas vezes fazer jaculatórias. Aí teremos correspondido, de algum modo, à solicitude de Deus nos dando Nossa Senhora como auxiliadora. E nossa alma encontrará a paz.
Fonte: ADF

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