quinta-feira, 31 de março de 2011

Por que acendemos velas?


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I – Simbologia da vela

O sentido da vela acesa é muito importante por corresponder a muitos significados. Muito adequadamente a vela representa o homem. O homem (a criatura humana) é um ser resultante da união substancial da alma racional (espiritual) com o corpo (matéria), formado por ela. De maneira que cada alma tem o seu corpo específico.

Portanto, seria impossível a alma de uma pessoa (José, por exemplo) unir-se ao corpo de outra pessoa (Joaquim, por exemplo). Se isso acontecesse a alma do “José” destruiria o corpo do “Joaquim” para alimentar-se dele e daí, por meio do processo digestivo, formaria o seu corpo. Seria uma antropofagia…

A vela, por sua fez, é formada da cera (“corpo”) e do fio (“alma”, elemento de coordenação). É o fio que recebe o fogo (a chama), mas a cera (“corpo”) o sustenta e o condiciona para que nele a chama (a “fé”) se desenvolva. Por outro lado, a cera tem também uma série de qualidades que servem de analogias. Uma delas é que ela é fruto da abelha, que é casta. Ora, quanto mais casta (pratica a castidade, segundo o estado) é uma alma, mais ela tem facilidade de admitir as verdades de fé. A impureza (imoralidade) leva as almas para a impiedade!

A chama (o fogo) está sempre tendendo para cima, para o mais alto, como se pode observar. Resiste aos ventos e, se não apagar, eleva-se de novo. O fogo acesso num terreno baixo imediatamente procura subir para o alto das montanhas. Igualmente a Fé. A Fé é a virtude que leva à adesão firme, inabalável, da nossa inteligência às verdades que Deus nos revelou. Por isso, a Fé (viva, operosa, não morta) está sempre elevando a pessoa para o “desejo dos bens celestes”. Ou seja, para aquilo que de mais alto podemos desejar!

Dessa forma, a vela acesa representa nosso culto, nossas orações e nosso ato de Fé a Deus Nosso Senhor, à Santíssima Virgem, aos Anjos e aos Santos.

Em qualquer cerimônia litúrgica, acendem-se velas no altar para simbolizar, de um lado, a consumação da criatura diante do Criador, o sacrifício de Cristo em substituição à humanidade; e de outro lado, porque é Cristo que está se sacrificando, ele que é a «Luz do mundo». A Igreja, a exemplo de seu fundador, que usou objetos materiais (pão, vinho, água, óleo) para significar realidades imateriais, usa também materiais para esse fim (velas, incenso, imagens, etc.); nossa natureza, que é uma composição de matéria e de espírito, o requer. Não sendo o homem “nem anjo nem simples animal” ele só consegue alcançar o espiritual e o sobrenatural por intermédio do sensível e do natural.

II – Símbolo de consumação

Deus é nosso Criador e nós, suas criaturas. Quer dizer que tudo o que somos e tudo o que temos nos foi dado de graça por Deus. Por conseguinte, seu poder sobre nós é absoluto e seus direitos ilimitados. Pode até exigir a nossa própria vida em sacrifício. Deus pediu a Abraão que lhe sacrificasse Isaac, seu filho único. Abraão obedeceu. No instante em que ia descer o cutelo para matar o filho em cima da fogueira, um Anjo reteve a sua mão. E substituiu Isaac por um carneiro (Gn 22). Deus mostrava, assim, que os sacrifícios humanos não são agradáveis a seus olhos; apenas quis pôr à prova a fidelidade e a obediência de seu servo. É o que acontece, muitas vezes, com cada um de nós.

Na história da humanidade houve um só sacrifício de seu próprio Filho feito homem, nosso Senhor Jesus Cristo, na cruz, para a salvação e a redenção do gênero humano. Esse sacrifício continua renovando-se misticamente, de modo incruento, na santa Missa.

Que relação pode haver entre um sacrifício e uma vela acesa?

A vela acesa substitui, diante de Deus, a pessoa que a acende: consome como se fosse um holocausto oferecido a Deus. O holocausto era, na Antiguidade e na lei mosaica, o sacrifício mais perfeito, porque por ele a vítima era oferecida a Deus e queimada por inteiro em reconhecimento a seu poder e direito absolutos sobre quem a oferecia. A vela acesa é um holocausto em miniatura. A pessoa adquire a vela, que passa a lhe pertencer. Acende-a para ser consumida, em seu lugar.

Uma vela acesa a Deus simboliza, portanto, a adoração e a submissão total de quem a acende ao Deus Todo Poderoso, Senhor e Criador de todos os seres. Uma vela acesa para Nossa Senhora ou para um santo tem o mesmo simbolismo, só que este sacrifício é oferecido a Deus por intermédio de Nossa Senhora e/ou daquele santo. Evidentemente não tem o mesmo valor do sacrifício eucarístico, cujo valor é infinito, visto que por ele é o próprio Homem-Deus que se oferece a seu Pai.

Vela acesa é, pois, símbolo de consumação.

III – Símbolo de Nosso Senhor Jesus Cristo, Luz do Mundo

A vela acesa tem também outro simbolismo. Irradiando luz, simboliza Cristo «Luz do mundo», conforme ele próprio se designou. Por isso, nos ofícios litúrgicos, usam-se freqüentemente velas acesas, sobretudo durante a semana santa e o tempo pascal. Mas o “dia da luz” é o sábado santo, na Vigília da Páscoa (muitas vezes também chamado de Sábado da Luz).

Nele procede-se à bênção solene da luz: o sacerdote benze, atrás do altar, uma vela acesa e, depois, de frente para os fiéis, convida-os a acender dessa vela benta, suas velas, dizendo: «A luz de Cristo ilumina a todos!… Bendito seja o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que ilumina e santifica nossas almas». E com as velas acesas faz-se uma procissão dentro da igreja, ao canto de Salmos.

No domingo da Páscoa, ao iniciar a cerimônia da entrada triunfal de Cristo, que precede a liturgia da ressurreição, o sacerdote, segurando o círio pascal aceso, convida os presentes a acender dele os seus círios, dizendo: “Vinde, tomai luz da Luz sem ocaso, e glorificai a Cristo que ressuscita dos mortos”. E todos saem da igreja em procissão com velas acesas, para o anúncio da ressurreição de Cristo, pela leitura do evangelho próprio e o canto do hino da ressurreição: «Cristo ressuscitou dos mortos; venceu a morte pela morte, e aos que estão nos túmulos Cristo deu a Vida».

Depois, o celebrante bate na porta fechada, exigindo sua abertura e entra primeiro, seguido dos fiéis, sempre com velas acesas, ao canto do Cânon da Ressurreição. Nesse caso Nosso Senhor Jesus Cristo, ressuscitado, representa a luz sem ocaso.

Esse simbolismo, encontramo-lo também no sacramento do batismo, chamado também sacramento da iluminação. Depois de batizar a criança – que passa, assim, das trevas do pecado para a luz da graça –, o sacerdote manda acender as velas que os presentes seguram na mão e proclama: «Bendito seja Deus que ilumina e santifica todo homem que vem a este mundo».

IV – Velas – Significados especiais

Cada vela contém três partes: a cera, o pavio e o fogo, simbolizando as três Pessoas da Santíssima Trindade. A cera simboliza o Pai; o pavio, o Filho; e o fogo, o Espírito Santo.

A vela sozinha, acesa, simboliza Cristo Nosso Senhor: a cera, a sua Carne; o fogo, a Divindade. As duas velas – recomendadas pelo ritual romano para a celebração da santa missa – têm sua origem no Antigo Testamento, quando o Rei Salomão fez dois castiçais de ouro e os pôs no altar do templo, um de cada lado (Êxodo, capítulo 25). Desde então foi prefigura para a Lei da Graça, porque Cristo, na noite da Santa Ceia, também dispôs as luzes para este sacrifício.

É tradição apostólica não celebrar sem o crucifixo. Coloca-se a cruz no meio do altar entre dois castiçais, porque significam o povo gentio e o povo judeu, dos quais Nosso Senhor foi mediador.

O fogo simboliza a Fé. Simboliza também a alegria dos povos no nascimento do Senhor. Também simboliza Cristo, que disse: “Eu sou a luz do mundo”. A Missa é para iluminar, e os ministros são iluminados. A luz dos castiçais simboliza a fé do povo. Foi o Papa Melquíades quem mandou usar dois castiçais. Ele governou a Igreja de 311 a 314. Muitas velas na Missa simbolizam a Fé dos assistentes.

Acendem-se velas — diz Santo Agostinho em seus sermões — “para Cristo acender, em nossos corações, o fogo de sua ardente caridade e amor, porque, por amar-nos tanto, padeceu até morrer na cruz”.

(Fonte: Curso de Liturgia – Pe. Marciano Gonçalves Siqueira)

Digne-se conceder a salvação também a nós – por intermédio da Virgem Misericordiosa – Aquele que é bendito pelos séculos dos séculos. Amém.”

Fontes:- “Sermões de Santo Antonio” – Ed. Messaggero – Padova, 1979 – Volume III.

– “Teologia Orante na Liturgia do Oriente” – Editora Ave Maria -1998)

- “Curso de Liturgia” – Pe. João Batista Reus, S. J.

- “Formação da Missa através do tempos” – Padre Marciano Gonçalves Siqueira

1 comentário:

  1. Simpesmente bárbaro esse post. Era tudo o que eu queria saber. Parabéns, Maria! Já copiei e vou arquivá-lo nas minhas pastas de assuntos importantes. Ah! Você me autorizaria postá-lo também, qualquer dia? Colocarei seu nome , de seu blog, é claro. Pode ser? Aguardo resposta, tá? Meu abraço! http://sentidomaior.blogspot.com

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